Manthiqueira joga para quebrar tabu de 57 anos

Último título na cidade aconteceu em 1960; radialistas relembram história da conquista da saudosa Esportiva

O zagueiro Tupi, ídolo da Esportiva de Guaratinguetá no título de 1960 (Foto: Arquivo Pessoal)
O zagueiro Tupi, ídolo da Esportiva de Guaratinguetá no título de 1960 (Foto: Arquivo Pessoal)

Leandro Oliveira
Guaratinguetá

Tupi, Alcino, Marucci e Lucas duas vezes. Em 30 de outubro de 1960 a Esportiva de Guaratinguetá goleava o XV de Jaú por 5 a 0 no antigo estádio Benedito Meirelles e conquistava o acesso à divisão especial de São Paulo. A goleada deu à Rubra o título da divisão de acesso. Desde então, nenhum outro time profissional de Guaratinguetá foi campeão jogando na cidade. Depois de 56 anos, o Manthiqueira pode colocar ponto final nesse tabu histórico.

De lá para cá muita coisa mudou. O acanhado estádio do Campo do Galvão já não existe mais. O então moderno estádio Dario Rodrigues foi inaugurado em 1965. A Esportiva saiu de cena no fim dos anos 90. O Guaratinguetá foi fundado na mesma época, chegou à primeira divisão paulista e despencou anos depois. Hoje quem desponta é o Manthiqueira, que tem neste sábado a possibilidade de ser campeão pela primeira vez.

Para quem viveu a euforia do título da Esportiva em 60, agora é hora de apoiar a Laranja Mecânica para pôr ponto final nesse tabu indigesto. “A Esportiva parou, o Guaratinguetá também não disputa mais. Acredito que seja o momento do Manthiqueira. Depois de seis anos de fundação eu acho que a turma está chegando firme para disputar esse título”, respondeu Carlos Marcondes, historiador, narrador e apresentador de Rádio Clube.

Valdemir Barbosa e o Professor Carlos Eugênio Marcondes relembram última conquista em Guaratinguetá (Foto: Leandro Oliveira)
Valdemir Barbosa e o Professor Carlos Eugênio Marcondes relembram última conquista em Guará (Foto: Leandro Oliveira)

Marcondes está com 83 anos, narrou de perto e de longe a história da Esportiva. No jogo do título, em 60, ele não estava na cidade. Narrou outra partida decisiva pela conquista da Rubra, no mesmo horário, entre Catanduvense e Irmãos Romano, que terminou 0 a 0. “Eram oito mil torcedores no Benedito Meirelles. Existia uma grande expectativa pelo título”, salientou.

Valdemir Barbosa, repórter da Rádio Clube, também contou a história da Esportiva. Ele acredita que, depois das idas e vindas do Guaratinguetá, o torcedor vai voltar a abraçar uma equipe da cidade. “A torcida está carente do futebol. Desde que o Guará foi para Americana não foi a mesma coisa”, respondeu. “O Manthiqueira está ocupando uma lacuna muito grande e teve a sorte e felicidade de ter acendido à Série A-3. O time tem chances reais de comemorar o título na cidade”, concluiu.

Em 30 de outubro de 1960 os oito mil torcedores que foram ao Benedito Meirelles voltaram para casa com o título na bagagem. Neste 30 de setembro de 2017 os novos torcedores do Manthiqueira vão ao Dario Rodrigues Leite com o mesmo desejo dos antigos admiradores da Esportiva: ver o time campeão.

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