Vereador de Lorena é acusado por ameaça e repartição de salários

Ex-assessora denuncia Adevaldir Ramos por crime de concussão; filho do parlamentar é apontado como comandante de gabinete

O vereador de Lorena Adevaldir Ramos, que contestou acusações (Foto: Reprodução)
O vereador de Lorena Adevaldir Ramos, que contestou acusações (Foto: Reprodução)

Rafaela Lourenço
Lorena

O cenário político em Lorena passa por um novo turbilhão. Uma ex-assessora do vereador Adevaldir Ramos (PRB) o acusa de ameaçá-la e ainda pela divisão de salários entre funcionários de seu gabinete. A investigação segue com a Policia Civil.

Elaine Calixto começou trabalhar com o parlamentar durante a campanha para as eleições 2016, sendo efetivada no cargo de assessora parlamentar após eleição do candidato, onde ficou até dia 31 de maio.

Adevaldir a teria exonerado após atritos e frequentes desentendimentos devido à repartição de salários, no final de maio. A última situação teria sido uma discussão, em que, segundo a denunciante, o filho do vereador (Fabrício Ramos, vereador cassado por ter condenação criminal em 3ª instância no STF) a agrediu tentando pegar o celular de sua mão.

No dia seguinte ela procurou a justiça com provas do crime de concussão realizado no gabinete, entre elas gravações de áudio que mostram as negociações e mensagens de ameaças feitas pelo vereador através de um perfil no Facebook. “Recebi mensagens me ameaçando, me chamando de vagabunda, falando coisas que, por ser um vereador, teria que ter índole, mas ele (Adevaldir) não tem. Levei todas as provas e denunciei por causa de discussões e falta de respeito. Ele falava que o dinheiro dele compra todo mundo. Espero que a justiça seja feita”.

De acordo com o depoimento da denunciante, Adevaldir alegou que o perfil da rede social utilizado nas ameaças apresentadas não é dele e que a própria funcionaria teria o criado. Ela negou a criação e afirmou que o parlamentar também fez um boletim de ocorrência contra ela. “Ele disse que o dinheiro dele compra todo mundo, e achou que eu não fosse abrir minha boca, que eu não ia fazer o B.O contra eles, mas sim, resolvi procurar o lado da Justiça”.

Segundo a ex-assessora, ela e mais quatro funcionários eram obrigados a fazer a repartição dos salários. Mensalmente, Elaine repassava R$ 1 mil a uma ex-assessora e os demais funcionários do gabinete repassavam suas partes de acordo com a indicação do filho do vereador.

“Quando ele mandou a Cidinha embora (outra assessora) ele disse que eu ia ter de pagar o seu funcionário da funerária, e o filho dele queria que eu pagasse até o ‘caldo’ (sic) que ele pegava. Aí falei ‘ué, vou pagar duas pessoas e trabalhar de graça?’ Tá errado, porque o dinheiro não sai do bolso dele, o dinheiro vem do povo. Se fosse dele, poderia me pagar quanto quisesse, mas isso é crime”, frisou Elaine.

Entre denúncias e informações que estão vindo à tona na cidade, a possível intervenção do ex-vereador Fabrício da Funerária nesta legislatura também foi citada, como o homem que ordena as atividades no gabinete. “O filho manda em tudo. Se o pai dá uma ordem e o filho dá outra, prevalece a ordem que o filho dá. Tudo que o filho fala é cumprido”, contou Elaine.

Durante os cinco meses de trabalho na Casa, ela garantiu que todas as viagens para São Paulo, com o carro da Câmara era assinada pelo vereador, mas o filho que viajava. O fato teria acontecido duas ou três vezes. “Não adianta ele mentir porque é só perguntar para os motoristas, a não ser que eles também mintam, mas na Via Dutra tem câmeras, se a polícia quiser puxar, ela vê que realmente quem ia nas viagens”.

Procurada pela reportagem do Jornal Atos, a Câmara de Lorena informou que apesar das situações apontadas por Elaine, não há nenhuma denúncia ou investigação, seja por parte do vereador, denunciante ou Justiça sobre o caso no Legislativo.

A ex-assessora afirmou estar com a consciência tranquila por ter feito o correto. “Não vou falar que medo não tenho, porque a gente não sabe do que a pessoa é capaz, mas também sei que ele não pode fazer nada pra mim, que a polícia já vai atrás dele. E até quando o povo vai ser enganado? Porque quem colocou ele lá dentro foi o povo, foi a ajuda de todo mundo”, salientou.

Trecho de mensagens online que teriam sido enviadas pelo vereador Adevaldir Ramos à ex-assessora
Trecho de mensagens online que teriam sido enviadas pelo vereador Adevaldir Ramos à ex-assessora

Resposta – O vereador Adevaldir Ramos negou todas as acusações, desde a ameaça, à divisão de salários e as viagens realizadas por seu filho. Ele alegou ter exonerado Elaine Calixto devido a frequentes faltas no trabalho, e que após a exoneração ela teria utilizado um perfil no Facebook, criado com sua autorização, para inventar as ameaças.

“Eu ia na Câmara e ela não estava lá. Gabinete fechado, ela não dava satisfação na Câmara. Eu chamava atenção a respeito disso, mas aí ela foi mandada embora e começou fazer coisas contra mim. Esse Face é tudo falso, eu não sei mexer, não tenho face, não tenho WhatsApp, meu celular é daquele simplesinho, só para receber ligação”, comentou.

A respeito da divisão de salários, o parlamentar disse não ter acesso algum às remunerações dos funcionários e que cada um tem seu cartão, sua senha e salário. “Eu nunca precisei dessas coisas porque graças a Deus o que eu tenho dá pra viver e jamais faria algo do tipo na cidade”.

Já as supostas viagens de Fabrício Ramos em seu lugar, com o carro da Câmara para São Paulo, também foram negadas. “É tudo invenção, eu tenho todas as notas que comprovam que eu fui, está tudo na Casa”, frisou.

Ramos afirmou ainda ter feito um boletim de ocorrência na Polícia Federal contra a ex-assessora, e exige que ela comprove esses crimes, pois segundo ele, nunca existiu nenhum áudio.

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