Ex-secretário denuncia fraude e desfalque no governo Edson Mota

Guilherme Marcondes garante ter provas das irregularidades da atual administração em setores como a Saúde e Santa Casa, e promete apresentá-las durante a semana

O ex-secretário Guilherme Marcondes, que denunciou o prefeito (Foto: Arquivo Atos)
O ex-secretário Guilherme Marcondes, que denunciou o prefeito (Foto: Arquivo Atos)

Rafaela Lourenço
Cachoeira Paulista

O ex-vereador, secretário de Saúde e assessor jurídico de Cachoeira Paulista, Guilherme Marcondes, usou as redes sociais para denunciar supostas fraudes do governo Edson Mota (PR). Corrupção, desvio de dinheiro da Santa Casa e funcionários fantasmas estão entre as acusações.

Guilherme Marcondes, que foi vereador de oposição ao ex-prefeito João Luiz (PSB) e participou da gestão de Edson Mota desde o início do mandato, em 2017, transitou pela secretaria de Saúde e recentemente ocupava o cargo de assessor jurídico. Após o seu desligamento da Prefeitura, na última semana, ele denunciou em um comentário em uma publicação de um grupo de discussões no Facebook uma série de irregularidades que teriam acontecido na atual gestão.

Marcondes garantiu que sua exoneração, que já seria realizada no final do ano, foi antecipada por ele não concordar com medidas da Prefeitura em questões políticas como a tentativa do chefe do Executivo que teria obrigado funcionários a apoiarem candidatos a deputados na última eleição. “Sou presidente do PSD, tenho compromissos e fidelidade com o meu partido, desde então deixei isso claro. Mas o Edson (Mota) queria obrigar a todos os comissionados, funcionários da Santa Casa e outros da Saúde a apoiarem seus candidatos. Minhas ideias de gestão já não iam de encontro com o as do Edson, principalmente quanto a terceirização da Saúde”, contou.

Marcondes revelou que em 2017, o então interventor da Santa Casa, Alexandre Alves, foi exonerado por não aceitar assinar a carteira de trabalho de duzentos funcionários, e que neste momento, ele levantou uma série de irregularidades. “Eu estava trabalhando para o governo, então discuti isso internamente e não tornei um fato público. Falei ‘prefeito, você está cometendo irregularidades, você vai cair em improbidade com essa terceirização, deve ser condenado criminalmente pela forma que está fazendo’. E ele (prefeito) falou: ‘Eu contratei cinco advogados de São Paulo que sabem mais do que você, então acho que quem está errado é você’. Ele não queria que eu palpitasse mais na Saúde, então me ofereceu para me afastar e ficar como assessor jurídico”.

Segundo o denunciante, ao sair do setor não teve mais contato com os pagamentos, contratações e verbas, mas que desde o segundo semestre de 2018 vários funcionários o procuraram, período em que recebeu várias provas como a prestação de contas do Isec (Instituto de Saúde, Educação e Comércio) e todas as notas, inclusive as dos serviços que não foram prestados. O Instituto foi denunciado e condenado pela Justiça por irregularidades em contratos com prefeituras do Estado de São Paulo, o que motivou o fim da parceria com Cachoeira.

Após ter acesso à ação civil pública, Guilherme descobriu que o problema não é a terceirização da Saúde, e sim a “quarteirização”, pois o Isec teria criado duas empresas de fachada que emitiram notas frias para serviços não executados, o que, segundo Marcondes, está sendo comprovado na Justiça, inclusive através de investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).

Ao se referir a “contratos espúrios” como a irregularidade nos plantões médicos da cidade, o ex-secretário destaca que no contrato haveria quatro médicos por dia, com plantão de R$1,2 mil cada, mas na realidade o atendimento diário contava com um médico concursado, ou seja, ele recebe pela Prefeitura e não por plantão. Apenas com os plantões são cerca de R$ 150 mil supostamente desviados por mês.

Marcondes contou ainda que continua recebendo denúncias, como um vídeo de suspeita de compra de votos e a folha de pagamento da Santa Casa que, segundo ele, apresenta pelo menos duzentos funcionários a mais do que deveria ter. “Eles tinham me afastado e eu não tinha acesso a isso, mas agora eu tenho um arcabouço de provas. Vou revelar tudo para a Justiça, protocolizar isso sem sombra de dúvida. Fiz isso em outras gestões, sempre denunciei os desvios da Santa Casa, e se tiver e eu conseguir comprovar, eu vou denunciar novamente”, frisou Marcondes.

A reportagem do Jornal Atos entrou em contato com a Prefeitura e foi informada de que o prefeito esteve fora da cidade na semana, e a secretária de Negócios Jurídicos, Gisele Fernandes, está de licença médica. Nenhuma resposta sobre as denúncias apresentadas foram repassadas à redação.

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