Perda do Samu preocupa moradores de Pinda

Cidade deixa consórcio alegando problemas financeiros; atendimento de urgência será feito pela Emercor

Serviço de atendimentos de urgência do Samu; convênio encerrado em Pinda será substituído por duas empresas (Foto: Arquivo Atos)
Serviço de atendimentos de urgência do Samu; convênio encerrado em Pinda será substituído por duas empresas (Foto: Arquivo Atos)

Lucas Barbosa
Pindamonhangaba

Após deixar o consórcio do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) no último dia 23, Pindamonhangaba anunciou que continuará pagando mensalmente R$ 125 mil para duas empresas atenderem os casos de emergência no município.

A decisão da Prefeitura desagradou a população, que teme a queda de qualidade do serviço.

Em nota oficial, o Executivo justificou que a decisão foi motivada por problemas financeiros, que acabaram impossibilitando o investimento mensal de R$ 390 mil na manutenção do serviço. De acordo com um levantamento do Executivo, o Samu atendia mensalmente 324 pacientes na cidade.

A secretária de Saúde, Valéria dos Santos, lamentou a saída de Pinda do Cisamu (Consórcio Intermunicipal do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência do Vale do Paraíba e da Região Serrana). “Nunca tivemos a intenção de sair do Samu. Ocorre que o método utilizado pelo consórcio encareceu muito os custos. Fizemos um estudo orçamentário para tentativas de remanejamento de verba para suprir os custos, mas infelizmente o município não conta com esse recurso”.

A chefe da pasta revelou detalhes da negociação malsucedida com o Cisamu, presidido pelo prefeito de Taubaté, Ortiz Junior (PSDB) “Foi proposto o pagamento aproximado de R$ 215 mil por mês para nos mantermos no Samu. Porém todas as ofertas foram recusadas. Assim, para a redução dos custos, seria necessário novo modelo de gestão”.

A notícia da saída do consórcio causou preocupação pelas ruas de Pinda. É o caso do motoboy, Helton Felizardo, 28 anos, que sofre de diabetes, e que teve uma crise de hipoglicemia no último sábado.

Ele relatou que após desmaiar em seu quarto, sua mãe e tia ligaram para o Corpo de Bombeiros em busca de resgate, mas foram informadas que no momento não tinham ambulâncias para realizarem o atendimento. “Acordei depois de alguns minutos e tive que tomar um café bem doce para melhorar. Imagine se ao invés da crise de hipoglicemia eu tivesse sido baleado, como eu iria fazer sem um atendimento rápido? Esse serviço é essencial e a Prefeitura não deveria deixar faltar de maneira alguma”.

A dona de casa, Alessandra Gonçalves, 34 anos, também lamentou o fato. Ela tem uma sobrinha que tem problemas mentais e que regularmente tem crises de nervosismo, necessitando de apoio médico. “Toda vez que o Samu veio aqui, eles foram rápidos e fizeram um excelente trabalho. Ficamos muito preocupadas com essa situação e agora não sabemos quem que irá ser mandado para nos ajudar”.

Futuro – Em nota oficial, a Prefeitura informou que “Pindamonhangaba vai permanecer com os serviços de atendimento de urgência e emergência, por meio do Emercor, que já atende a cidade desde junho de 2012, e a Clínica Médica Vale Guaratinguetá”. No total, a cidade contará com uma frota de resgate de três ambulâncias, sendo uma ativa e uma UTI Clínica além de um veículo reserva.

O Executivo ressaltou ainda que em média esse contrato, que conta com um investimento mensal de R$ 125 mil, vem garantindo o atendimento de 450 pacientes por mês. O serviço inclui ainda profissionais de saúde, médicos na central de regulação, enfermeiro, técnico de enfermagem e telefonistas.

Em relação à dívida de R$ 1,5 milhão com o consórcio, o Executivo afirmou que em breve iniciará a negociação para quitá-la.

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