Com queda de números na RMVale, Doria coloca todo estado em fase vermelha

Apesar de declínio de casos e internação nos hospitais, região é incluída em medida que retrocede cidades paulistas e implanta restrições e toque de restrição

Coletiva de imprensa para anúncio de nova classificação do Plano São Paulo; cidades paulsitas têm regras mais restritas (Reprodução GESP)

Bruna Silva
RMVale

Com 75% de ocupação dos leitos intensivos de tratamento da Covid-19 em todo estado, o governador Joao Doria (PSDB) decidiu, nesta quarta-feira (3), colocar todos os municípios na fase vermelha do Plano São Paulo contra a Covid-19. A preocupação, de acordo com o governo tucano, é o colapso do sistema estadual de saúde. Na região, população e prefeitos já questionam a medida, após a RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte) registrar quedas dos índices da pandemia nas últimas semanas.

De acordo com Doria, mais de 7,4 mil pessoas estão em leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Sem as medidas de restrição, o risco de colapso se tornaria ainda mais próximo. “Estamos em São Paulo e no Brasil à beira de um colapso na saúde. Isso exige medidas urgentes e coletivas”, afirmou o governador. “São 14 dias de fase vermelha. Vamos enfrentar as duas piores semanas da pandemia no Brasil desde março do ano passado”, acrescentou Doria.

A medida passa a valer a partir do próximo sábado (6) e vigorará até o dia 19 de março. A ideia é que, com o cronograma apontando para o início da medida somente no fim de semana, os comerciantes de produtos e serviços possam fazer um planejamento das próximas semanas.

Além da fase vermelha, o Estado estabeleceu o toque de restrição, que entra em vigor a partir das 20h em todas as regiões paulistas. A ação é uma recomendação para circulação restrita em vias públicas e fiscalização ampliada até as 5h.

Segundo o sistema de monitoramento da evolução da doença criado pela USP (Universidade de São Paulo) e Unesp (Universidade do Estado de São Paulo), houve elevação de 39% de internações intensivas, na última terça-feira. As hospitalizações em leitos intensivos chegaram a 155, enquanto no dia anterior havia registrado 111.

Os responsáveis pelo Centro de Contingência do Estado enfatizaram que o aumento à taxa de internações se deve à faixa etária mais jovem, que centralizam mais cuidados intensivos e são mais resistentes à doença, prolongando o período de ocupação das estruturas de hospitais. A expectativa é que com a retomada da fase vermelha, o nível de contaminação caia e possibilite o alívio do sistema de saúde.

Medidas como distanciamento social, higienização constante das mãos, teletrabalho e evitar aglomerações voltaram a ser incentivadas pelas autoridades. Com o retorno à fase amarela, ficam permitidas atividades essenciais como supermercados, serviços de segurança pública e privada, meios de comunicação, construção civil e indústrias, hotéis, lotéricas, lavanderias, oficinas mecânicas e cadeia de abastecimento e logística, além serviços ligados à saúde, segurança pública, construção civil, farmácias, mercados, padarias, lojas de conveniência, feiras livres, bancas de jornal, postos de combustíveis, lavanderias, hotelaria e transporte público ou por aplicativo.

Mapa com a nova reclassificação dos municípios paulistas no Plano São Paulo; regras até dia 19

Já os comércios e serviços não essenciais só podem atender em sistema drive-thru (retirada na porta) e pedidos por telefone ou internet. Academias, salões de beleza, restaurantes, cinemas, teatros, shoppings, lojas de rua, concessionárias, escritórios e parques deverão ficar totalmente fechados ao público.

Em texto, o Estado destacou que as prefeituras também podem impor medidas ainda mais restritivas que as divulgadas por Doria, mas não têm liberação para decretos mais brandos. “… qualquer medida local que abrande as restrições definidas pelo Estado será alvo de notificação administrativa por parte da secretaria de Desenvolvimento Regional. As advertências serão informadas ao Ministério Público para possíveis sanções judiciais que garantam o cumprimento estrito das normas do Plano SP”.

Na região – Nas últimas três semanas de fevereiros, os dados referentes à pandemia mostravam queda na RMVale. A redução, no último levantamento do mês, era de 20,7%.

“Vejo isso como uma punição. Nós temos o Plano São Paulo, funcionando por fases, em que regiões com índices menores, migram para fases mais brandas. Mas agora, quando nós iríamos migrar para a fase amarela, o governo nos coloca na ‘vala comum’ e coloca todos na fase vermelha. Não concordo com essa posição, porque todos nós tivemos um trabalho feito por prefeitos, comerciantes, sociedade, atuando muito forte para que conseguíssemos derrubar estes números, somos colocamos na mesma ‘vala’ que outras regiões, que não o fizeram”, criticou o prefeito de Guaratinguetá, Marcus Soliva (PSC). “Está errado. Ele (Estado) mudou a regra do jogo no final. O Vale do Paraíba cumpriu o seu papel. Guaratinguetá tem os números controlados. Por isso estamos vendo isso como uma punição”, completou.

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