Sindicato ameaça paralisar transporte público em Guará

Categoria cobra direitos trabalhistas e denuncia estado dos ônibus

Ônibus que opera o transporte público cumpre itinerário com lotação em excesso; Sindicato denuncia más condições (Foto: Sindicato)
Ônibus que opera o transporte público cumpre itinerário com lotação em excesso; Sindicato denuncia más condições (Foto: Sindicato)

Lucas Barbosa
Guaratinguetá

O Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários de Guaratinguetá anunciou, no início da semana, que pode a qualquer momento ordenar a paralisação do transporte urbano no município. A categoria afirma estar descontente com as condições de trabalho oferecidas pelas empresas Rodoviária Turismo São José e Rodoviário Oceano Ltda.

Segundo o diretor do sindicato, Ricardo Cruz, grande parte dos quase 165 motoristas e cobradores estão com duas férias vencidas e sem previsão para tirá-las. A categoria também cobra melhorias salariais e a alteração da data base do pagamento.

Os trabalhadores denunciam que grande parte da frota das empresas São José e Oceano está em péssimas condições de conservação e vem colocando em risco motoristas e passageiros. “Praticamente não existe manutenção nos veículos. A empresa não fornece peças de reposição e os mecânicos acabam recebendo ordem para tirar de um e colocar em outro. Isto é um absurdo, porque essa negligencia acaba colocando em risco os trabalhadores e passageiros”, criticou o diretor.

Ricardo revelou que o sindicato reivindica, junto ao Ministério Público, uma fiscalização completa em toda a frota dos ônibus utilizados no transporte público. “Já temos relatos de cambio que caiu e até mesmo roda que acabou pegando fogo devido ao péssimo estado dos veículos. Recentemente, também enviamos fotos à imprensa que mostram cadeiras totalmente quebradas e até mesmo arame segurando o vidro lateral do motorista”.

O sindicato promete que caso as reivindicações não sejam atendidas, o transporte público poderá em breve ser paralisado. “Já pedimos ajuda da Prefeitura e Câmara, mas até agora nada. Infelizmente, a empresa não mantém diálogo conosco. Pedimos que a população nos entenda caso haja a paralisação, pois a vida de todos que andam no ônibus está em perigo graças a negligencia dessa empresa”, finalizou.

Outro lado – Através de seu setor jurídico, a São José e a Oceano negam que os funcionários estejam com as férias atrasadas e afirmam que, quanto à melhorias salariais, os pisos pagos pelas empresas são os maiores da região, “Fundo do Vale do Paraíba”, por conta de um acordo coletivo celebrado em 2014.

A nota informa que as empresas possuem um plano preventivo de manutenção dos veículos adequado às exigências dos fabricantes, a cada 5.000 km e também são realizadas vistorias quinzenais para verificar a necessidade de alguma manutenção corretiva.

Sobre as fotos divulgadas pelo sindicato, a São José e Oceano afirmam desconhecer a procedência das imagens, bem como a data e local de sua possível obtenção. Elas ainda garantem que os ônibus nas condições apresentadas nas fotografias, não estão, nem nunca estiveram, em operação no município.

A nota também ressalta que é inverídica a denúncia sobre a falta de peças para a substituição nos ônibus. Quanto a possível paralisação, os advogados afirmam que conforme disposição legal, o aviso de greve deve ser realizado com antecedência às empresas, sendo que até o presente momento não foi recebido qualquer tipo de comunicação a esse respeito.

Contra ponto – De acordo com um dos motoristas de uma das empresas ouvido pela reportagem, “ouvimos sempre no refeitório e no pátio da garagem que ‘as patroas’ estão em dificuldades por causa da Prefeitura que está fazendo pressão para fazer outro contrato e por isso não pode comprar ônibus novos, mas a oficina funciona bem e arruma todos os defeitos”, explica um dos funcionários que preferiu não se identificar.

Já para uma das cobradoras (com identidade preservada), “qualquer um pode entrar num ônibus paralizado e tirar fotos do estado dele, não significa que ele esteja rodando. Eu acho que o Sindicato deve cuidar da nossa questão trabalhista e não do estado dos ônibus que não são novos, mas também não são velhos”, ponderou.

Veículo estacionado no pátio da empresa que apresenta má conservação (Foto: Sindicato)
Veículo estacionado no pátio da empresa que apresenta má conservação (Foto: Sindicato)
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