Com repasse mensal de R$ 350 mil Santa Casa tenta vencer crise no atendimento

Investimento tem primeira parcela prevista para setembro; vereadores prometem voltar a debater falhas e pedidos durante a próxima sessão

A Santa Casa de Lorena
A Santa Casa de Lorena que enfrenta série crise financeira; entidade aguarda aporte estadual de R$ 350 mil (Foto: Rafaela Lourenço

Rafaela Lourenço
Lorena

Em meio a reclamações como atraso no atendimento e de pagamentos, a Prefeitura e a Santa Casa de Misericórdia de Lorena buscam apoio estadual para desafogar o atendimento público. A gestão aguarda um aporte de R$ 350 mil validado pela secretaria de Saúde do estado de São Paulo. Dezessete municípios serão contemplados com o projeto.

Após o repasse municipal de aproximadamente R$ 624 mil, no último mês, como forma de ressarcimento pelo atendimento realizado na Santa Casa, a Prefeitura busca qualificar os serviços com um novo recurso validado pelo Estado.

Segundo a secretária de Saúde de Lorena, Imaculada Conceição, o repasse do Ministério da Saúde segue sem atualização desde 2006, e com o objetivo de obter um maior amparo estadual, o prefeito Fábio Marcondes (sem partido) e mais 16 prefeitos do Vale do Paraíba se reuniram com o secretário adjunto de Saúde do Estado, Alberto Kanamura, na última semana.

O encontro foi em busca do valor excedente de aproximadamente R$ 2 milhões que o Estado deixou de repassar para o Hospital Universitário de Taubaté, municipalizado em julho. Os 17 prefeitos e os respectivos secretários municipais de Saúde levantaram as necessidades dos hospitais e pleitearam, juntos, um repasse, negado pelo Estado, que posteriormente à reestruturação do projeto, validou a solicitação composta por três etapas de custeio.

De acordo com Imaculada, nesta primeira etapa Lorena receberá cerca de R$ 350 mil por mês para a maternidade que trabalha como referência na região. “O estado validou o projeto técnico, as questões dos estudos feitos, mas ele ainda está se organizando para dar o sinal positivo. Por isso a nossa expectativa de receber o aporte”, frisou.

O convênio é uma das tentativas da cidade para amenizar os problemas no atendimento, foco de críticas nas ruas e alvo de discussões no cenário político. A Santa Casa voltou a ser pauta na sessão da última segunda-feira, com a afirmação do presidente da Câmara, Maurinho Fradique (PTB), de que há atrasos de salários no hospital. Uma funcionária de atendimento da Santa Casa, que preferiu não se identificar, contou à reportagem que há atrasos de pagamento de salário, adicional de férias e que por esse motivo colaboradores estariam pedindo demissão.

Para o vice-presidente Sindicato dos Empregados em Estabelecimento de Serviço de Saúde de São José dos Campos e região, Martinho Luiz dos Santos, a informação de atraso de pagamento confronta a apuração feita por ele em conversa com os funcionários. “O que está acontecendo sãos férias que estão atrasando e o processo cobrando já está rolando. A cesta básica, também estamos há alguns anos brigando por isso. Quem está dando essas informações são pessoas que não participam da vida sindical”.

Martinho ressaltou que atrasos desde maio são referentes a acordos feitos na Justiça de processos coletivos e individuais, e que os prejudicados podem procurar o apoio do sindicato.

O prefeito Fabio Marcondes justificou os atrasos como forma de reduzir dívidas bancárias, já que o hospital fatura atualmente cerca de R$ 700 mil com planos de saúde. Segundo ele, médicos estariam privilegiando o hospital Unimed através dos planos particulares, que anteriormente elevavam o faturamento do hospital público para R$ 2 milhões. “Quando reclamam de uma ação trabalhista que não foi quitada, vão para a Justiça, Fundo de Garantia atrasado que de seis em seis meses tem que fazer um refinanciamento no Refis. Quando há um pequeno atraso do pagamento, é fruto de estancar a dívida bancária”.

Sobre a demora no atendimento, a secretária de Saúde ressaltou que há um ano o Pronto Socorro atendia cerca de 300 pessoas por dia. Hoje, atendendo pacientes de toda a região, a rotina chega a 450. “Reconhecemos as dificuldades, entendemos as reclamações da população, estamos tentando minimizar as dificuldades. Estamos fazendo, através da autorização do prefeito, esse ressarcimento (R$624 mil) para manter outros tipos de atendimento no hospital”.

O Executivo cobra um aumento de repasses por parte do Ministério da Saúde, e a resposta é de que não há orçamento para a finalidade.

O assunto deve ser retomado na sessão desta segunda-feira, quando Fradique deve protocolar um requerimento solicitando informações sobre a Santa Casa e seus colaboradores.

Procurada pela reportagem, a Santa Casa não se pronunciou sobre os fatos até o fechamento desta edição.

 

 

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