Votação de vale-alimentação tem acusação de retaliação em Cruzeiro

Após ser contra ao projeto de Paulo Vieira, Sandro Felipe é dispensado de emissora

Os vereadores Paulo Vieira e Sandro Felipe; votação sobre vale-alimentação é seguida de denúncia de retaliação após demissão de rádio (Foto: Arquivo Atos)
Os vereadores Paulo Vieira e Sandro Felipe; votação sobre vale-alimentação é seguida de denúncia de retaliação após demissão de rádio (Foto: Arquivo Atos)

Rafael Rodrigues
Cruzeiro

A volta do recesso na Câmara de Cruzeiro nesta última segunda-feira foi marcada por discussão e até possíveis retaliações entre os vereadores da cidade. Os dez parlamentares, que durante a eleição dividiram o mesmo palanque, divergiram sobre um projeto de autoria de Paulo Vieira (PR), que pedia a criação de um vale alimentação no valor de R$ 310 para os assessores parlamentares.

Após emenda do vereador Sergio Blóis (PR), o valor do benefício passou para R$250, mas ainda assim, não agradou a todos na Casa.

Entre os descontentes, Sandro Felipe de Sousa (SD), que não só se posicionou contrário como frisou que o momento econômico da cidade não permite a criação de mais uma despesa. Segundo o vereador, os salários dos funcionários da Câmara variam entre R$ 5,4 mil e R$3,4 mil. “Eu votei contrário ao projeto pelo que estamos atravessando no país, é um momento de recessão não é um momento de se criar gastos. E a Câmara já paga bem aos assessores. Então não era momento de se criar vale-alimentação de R$ 250”.

Além do vereador Sandro Felipe, outros três parlamentares foram contrários à criação do vale alimentação para os servidores: Maria Divina, João Bosco da Silva, o Bosquinho (SD) e Claudete Araújo (PV).

Como para aprovação da matéria era necessária maioria absoluta, a proposta precisava de seis vereadores. Com o placar de 5 a 4, o projeto tecnicamente teria sido rejeitado, e Paulo Vieira amargaria ali sua primeira derrota na Casa.
Mas logo após a votação, Vieira pediu uma pausa na sessão para, segundo ele, “debater assuntos jurídicos”, e chamou para reunião fechada alguns vereadores, entre eles, a Claudete, que inicialmente teria sido contrária a matéria.

Logo após o debate de aproximadamente cinco minutos, retomaram a sessão, e sem argumentar o motivo, a vereadora mudou o voto, e com isso, o placar foi de 6 a 4 para aprovação do projeto. A vereadora foi procurada para esclarecer os fatos, mas não respondeu à reportagem.

Mas a votação teve efeitos colaterais para o vereador. Pelo menos é isso que acredita Souza após votar contra a proposta do vereador mais bem votado da cidade (Paulo Vieira).

Ele acredita que esse tenha sido o principal motivo que levou o vereador a perder seu emprego em uma emissora de rádio, que tem em seu conselho diretor, funcionários da Facic (Faculdade de Ciências Humanas de Cruzeiro) de propriedade de Vieira.

Logo na manhã da última terça-feira, menos de 24 horas depois da sessão na Câmara, Sandro Felipe foi surpreendido com sua demissão da Rádio Mantiqueira, onde trabalhava desde 1999. “Quando eu cheguei na rádio, na terça-feira, a equipe estava me esperando para dar a carta de demissão. Antes da sessão, a minha convivência na rádio estava maravilhosa, nunca tive problemas com ninguém e estava cumprindo com as minhas obrigações”, contou.

Entre os conselheiros da emissora estão Patrícia Baptistela e Jorge Luiz Conde, respectivamente diretora e professor da Facic.

A acusação de retaliação contra o vereador foi assunto durante toda a semana na cidade.

Procurados pela reportagem, o vereador Paulo Vieira e a rádio Mantiqueira não responderam ao Jornal Atos.

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