Moradores de área de risco pedem inclusão em grupo de casas populares de Cachoeira

Após período de chuvas, condições de moradias pioram em área conhecida como “Barranco”; idosos convivem com falta de acessibilidade e condições precárias em residências condenadas

Catarina da Cruz, que espera por solução da Prefeitura sobre moradias (Foto: Jéssica Dias)
Catarina da Cruz, que espera por solução da Prefeitura sobre moradias (Foto: Jéssica Dias)
Jéssica Dias
Cachoeira Paulista
As famílias do “Barranco”, área localizada no bairro do Pitéu, em Cachoeira Paulista, sofrem com o abandono e descaso. Os moradores vivem com a realidade de rachaduras nas casas e terrenos afundando, casos de idosos que mal conseguem deixar o local e que pedem uma saída à Prefeitura.

Eles revelaram que em 2008, quando anunciada a construção das casas do CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), a promessa era de que seriam reservadas unidades para retirá-los da condição de risco.

O acesso para as casas é uma escadaria com pedras em uma situação precária. As casas estão com grandes rachaduras e com os terrenos afundando. Moradora do Barranco há 54 anos, a dona de casa, Catarina da Cruz Oliveira Machado, 81 anos, contou que já caiu na escada quando estava saindo para ir ao médico.

Segundo os moradores, a Defesa Civil já visitou o local e condenou cinco casas em situação de risco. Uma das moradias é da dona Catarina, outra abrigou Maria de Lurdes Araújo, de 91 anos, que mora há 64 anos no local. A idosa deixou sua residência porque foi considerada inabitável.

Foi quando se mudou para casa ao lado, do seu filho. “A situação aqui está precária. Essa casa que estou morando é do meu filho, a minha está caindo. Fiquei ruim e tive que vim pra cá. A Prefeitura vem sempre aqui, fala, fala e fica por isso mesmo, não acontece nada”, contou Maria de Lurdes.

Além das condições ruins da casa, ela convive com problemas na acessibilidade após ter o pé direito amputado. “Eu não posso descer, amputei o pé, dói e não posso ir ao médico fazer fisioterapia. Não tenho jeito pra nada. Para descer as escadas tem que ter uma pessoa forte pra me pegar no colo igual criança, e pra subir, é muito difícil. Eu estou aqui sem medir pressão, sem ir ao ortopedista”, relatou.

Dona Catarina revelou que a Prefeitura teria feito uma proposta para retirá-los da zona de risco e encaminhar para o asilo. “Eu não quero ir para o asilo. Depois falaram que iriam dar as casas populares para a gente”.

Acesso irregular nas casas de Catarina da Cruz (esquerda) e Maria de Lurdes (direita); idosas sofrem (Foto: Jéssica Dias)
Acesso irregular nas casas de Catarina da Cruz (esquerda) e Maria de Lurdes (direita); idosas sofrem (Foto: Jéssica Dias)

Ainda, de acordo com ela, houve o sorteio de trinta casas populares pela Prefeitura, mas foram poucos os moradores do Barranco beneficiados. “Está tudo afundando, paredes rachando. Isso não é de agora, faz tempo, só que a situação piorou agora. Queremos uma casa, temos condição de pagar, ninguém está pedindo de graça, somos aposentados”.

Em uma matéria publicada pelo Jornal Atos no dia 2 de abril de 2018, a Prefeitura de Cachoeira Paulista havia entregue sessenta casas populares no conjunto habitacional.

As 150 unidades estavam paradas desde 2012. De acordo com o prefeito Edson Mota (PR), a expectativa era se entregar até o final do segundo semestre as noventa casas que faltam. “Estamos entregando a primeira etapa das 150, que estavam paralisadas. Até o final do ano terminaremos as noventa unidades que ainda faltam, para depois conseguir fazer outra etapa que o CDHU já colocou a disposição de Cachoeira Paulista”, explicou.

As casas têm 48m² de área construída e contam com dois dormitórios, sala, cozinha e banheiro. A construção das moradias populares tem um investimento de R$ 9 milhões.

A reportagem do Jornal Atos procurou a Prefeitura em busca de mais informações sobre a entrega das casas e o que será feito com as famílias do Barranco, mas não obteve informações até o fechamento dessa edição.

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