Em alta, homicídios têm cada vez mais ligação diretas ao tráfico em Guará

Polícia Civil destaca que pelo menos 80% dos assassinatos estão ligados ao comércio de drogas; setor de investigação ganha reforço para chegar a autores e possíveis mandantes

Unidade móvel da Polícia Militar durante ação na praça Conselheiro Rodrigues Alves; crimes
Unidade móvel da PM durante ação na praça Conselheiro Rodrigues Alves; a maioria dos assassinatos na cidade tem relação com tráfico de drogas (Foto: Arquivo Atos)

Leandro Oliveira
Guaratinguetá

Guaratinguetá caminha para bater o recorde histórico de homicídios registrados em um mesmo ano. Após divulgação do balanço referente ao mês de outubro, a cidade do Vale do Paraíba soma, nos nove primeiros meses, 28 assassinatos. O município é o sétimo na lista dos maiores índices de crimes dessa natureza entre as cidades do interior. As investigações da Polícia Civil apontam que ao menos 80% dos casos têm ligações diretas com o tráfico de drogas.

Extraoficialmente, Guaratinguetá deve fechar a contagem de novembro tendo ultrapassado os 32 homicídios no ano, levando em conta os casos registrados em outubro. Mas como publicação oficial, a secretaria de Segurança Pública do Estado lançou os dados de setembro e apontou que a Terra de Frei Galvão continua entre as dez mais violentas do interior. Há três semanas, as lideranças do Executivo e das polícias Militar e Civil se reuniram para discutir ações que possam reduzir as mortes na cidade.

“Mais de 80% dos casos são ligados diretamente ao tráfico, infelizmente, mas nós estamos reforçando a Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes). Vou atrás de mais um policial para fortalecer o setor de homicídios”, afirmou o delegado seccional de Guaratinguetá, Márcio Marques Ramalho.

Há pouco mais de um mês, foi desarticulada uma quadrilha na região que operava o tráfico de drogas. A desarticulação foi planejada há meses e colocada em prática em diversas cidades do Vale. Chegar até a origem do tráfico é tarefa que requer tempo e muita investigação, assim como descobrir as ligações do comércio ilícito com as mortes na cidade.

Para não atrapalhar o andamento das análises, a Polícia Civil não dá detalhes sobre as investigações, mas existem duas linhas paralelas que estão sendo seguidas. A primeira é referente a dívidas do tráfico, entre usuários e fornecedores. A segunda é sobre uma disputa por bocas.

O fato é que independente da ligação direta com o tráfico ou não, Guaratinguetá é a quarta cidade do Vale do Paraíba que mais contou assassinatos neste ano, e a sétima de todo o interior de São Paulo. Na região, Guaratinguetá fica atrás de São José dos Campos, Jacareí e Taubaté. A diferença entre São José e Guaratinguetá é de três homicídios.

O delegado seccional preferiu não entrar em detalhes sobre as investigações, mas confirmou que os casos estão com esclarecimentos adiantados. Ao ser questionado sobre uma possível disputa entre pessoas conhecidas da região do Parque Santa Clara, Parque São Francisco e Santa Luzia, que originaram em ao menos três assassinatos em curto espaço de tempo, o delegado respondeu que “Os casos estão adiantados, e muitos deles com esclarecimento. Em breve estaremos com todos os casos devidamente esclarecidos”.

 

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