Mesmo com processo, Santuário nega pressão por volta de atividades

Celebrações no templo católico não são realizadas desde o dia 14 de março, após decisão da Justiça de Aparecida com foco no combate ao novo coronavírus

Santuário Nacional de Aparecida, que segue sem celebrações devido a pandemia de Covid-19 (Foto: Marcelo A. dos Santos)

Marcelo Augusto dos Santos
Aparecida 

O Santuário Nacional de Nossa Senhora de Aparecida emitiu uma nota negando movimentação para pressionar o Estado pela liberação das atividades religiosas no local. Na última terça-feira, uma série de matérias jornalísticas foram divulgadas na imprensa nacional apontando um processo em que a Igreja estaria questionando o isolamento social e pedindo pela retomadas de missas e eventos, parados desde março, devido à pandemia do novo coronavírus.

O maior templo católico do Brasil não faz celebração desde o dia 14 de março, após a juíza Luciene Belan Ferreira Allemand ter acatado pedido do Ministério Público que apontava que a medida era necessária para se evitar a disseminação do novo coronavírus.

Um ação judicial na 2ª Vara Cível de Aparecida (ainda não julgada), contesta a condição com que a pandemia de Covid-19 tem sido trabalhada no país.

A informação repercutiu na imprensa nacional. A primeira matéria a ser vinculada foi do colunista do portal Uol, Rogério Gentile, que teve acesso ao processo e destaca que o Santuário afirma que “não há consenso técnico quanto ao fechamento dos ambientes públicos como medida de contenção da Covid-19. Trata-se de mecanismo para concessão de ‘fôlego’ para estruturação do sistema de saúde e para que os estudiosos da área entendam o comportamento do vírus”.

O posicionamento da Igreja apontaria ainda que a falta de consenso entre as autoridades do país. “Se o presidente da República diz ‘A’, o governador diz ‘B’, o Ministério Público de Lorena diz ‘C’ sobre o Santuário de Aparecida e o STF orienta a ‘D’…, o que o cidadão deverá fazer? Em quem acreditar?”

Segundo a matéria, as falas estão vinculadas na contestação que ainda não foi julgada pela 2ª Vara Cível de Aparecida. Outros veículos de imprensa destacaram a informação.

Mas em nota divulgada na noite da última terça-feira, o Santuário garante que não existe pressão pela retomada. “… o ato de ‘contestar’, na terminologia jurídica, representa a defesa processual de resposta a uma ação judicial, neste caso, aquela proposta pelo Ministério Público, em 14 de março de 2020. A descontextualização da terminologia jurídica levou a uma interpretação errônea nas matérias jornalísticas publicadas, pois em nada condiz com o teor e fundamento das alegações de mérito processual entregues a Justiça. Reforça-se que o Santuário Nacional vem cumprindo com rigor todas as determinações das autoridades e em nenhum momento questiona o isolamento ou se posiciona contrário ou qualquer outra medida de contingenciamento (trecho da nota)”.

O texto da instituição católica explica ainda que a “retomada da realização de celebrações litúrgicas com a presença do povo, só acontecerá quando o poder público indicar esta possibilidade, bem como a Arquidiocese de Aparecida orientar”.

 

 

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