Aparecida e Nova Dutra seguem sem acordo e passarela do Tigrão tem novos protestos

Concessionária afirma que responsabilidade é exclusiva da Prefeitura, que chegou a oferecer R$ 320 mil para reforma; local tem manifestações e represália com tiros de balas de borracha e bombas de gás

Uma das três manifestações na passarela do Tigrão, no trecho de Aparecida, da Via Dutra; situação segue sem definição e com novos protestos (Foto: Leandro Oliveira)
Uma das três manifestações na passarela do Tigrão; situação segue sem definição e com novos protestos (Foto: Leandro Oliveira)

Leandro Oliveira
Aparecida

Terminou sem acordo a audiência entre representantes da Prefeitura de Aparecida e da CCR Nova Dutra em tentativa de definir o que fazer quanto à interdição da passarela que dá acesso ao bairro Perpétuo Socorro, popularmente conhecido como Tigrão. O acesso foi fechado devido as más condições de utilização do espaço, que tem oxidação por toda sua extensão. A situação voltou a gerar protestos, na noite desta sexta-feira, quando a polícia foi chamada parta dispersar os manifestantes.

A Promotoria de Justiça de Aparecida determinou a interdição no fim de julho. Foram registrados dois protestos de moradores da região, que invadiram a rodovia Presidente Dutra, em seguida, foi agendada a audiência. Segundo o secretário de Justiça e Cidadania de Aparecida, Marco Aurélio Piza, o Executivo fez uma proposta para que as duas partes assumissem o compromisso pela reforma da passarela.

“A Prefeitura fez uma proposta de R$ 320 mil”, afirmou. “Fomos abertos à discussão, à negociação e ao acordo, mas infelizmente a concessionária ficou dura nesse sentido de não ser a responsável pela passarela. O Ministério Público entende que a responsabilidade é solidária, ou seja, das duas partes”, afirmou Piza.

Sem uma solução imediata sobre a reforma do acesso, ele destacou que o Executivo se comprometeu a colocar um transporte alternativo para atender as necessidades dos moradores desse bairro. “Existe um estudo nesse sentido, que não se efetivou, mas vai se efetivar em breve, tudo isso feito com base nas propostas dos próprios moradores. Eles compreendem a situação, necessitam do acesso da passarela, mas entendem a discussão”.

Ao todo, R$ 1 milhão foi bloqueado dos cofres municipais após decisão judicial. O departamento jurídico já ingressou com pedido de suspensão do bloqueio, já que essa ação pode causar prejuízos à administração municipal.

A passarela foi novamente fechada pela Prefeitura de Aparecida, e o acesso foi lacrado com arame farpado. Essa é a quarta interdição distinta que o Executivo fez para bloquear a passagem de moradores, todas as anteriores não foram suficientes. Piza foi questionado sobre a remoção da passarela. “A gente entende que a passarela é importante. O município não pensa em remover a passarela e deixar a população desguarnecida, o objetivo é realizar a reforma para que a passarela fique de acordo com as normas de segurança e garanta a integridade física dos transeuntes e dos motoristas”, concluiu.

Por meio de nota, a CCR Nova Dutra respondeu ao Jornal Atos: “…a responsabilidade pela manutenção da passarela localizada no Km 69,4 da Via Dutra é exclusiva do município de Aparecida, fato este, já reconhecido nesta decisão pelo Tribunal de Justiça. A concessionária tem se demonstrado diligente no cumprimento de suas obrigações contratuais, acompanhando e fiscalizando atentamente as condições da passarela”.

Protestos – Moradores da região do bairro Perpétuo Socorro voltaram a se manifestar contra a interdição da passarela na noite desta sexta-feira. Após voltar a fechar a pista do sentido Rio de Janeiro da Via Dutra, os manifestantes foram dispersados pela tropa de choque da Polícia Militar, que chegou a utilizar bombas de gás lacrimogênio e armas com balas de borracha. No local, foram ouvidos vários disparo durante a ação para liberar as pistas, que já haviam sido foco de protestos na semana anterior.

Antes das manifestações existiam duas manilhas de concreto bloqueando parcialmente a passagem dos moradores. Após a primeira manifestação, a Prefeitura lacrou a passarela com dois portões baixos de ferro. No dia 6, os moradores fizeram uma nova manifestação e voltaram a interditar o tráfego de veículos na altura do Km 69 da Rodovia Presidente Dutra, sentido Rio de Janeiro. Os moradores quebraram os portões e as duas manilhas, liberando o fluxo de pedestres.

Após dois protestos, realizados na última semana, a Justiça bloqueou R$ 1 milhão da Prefeitura para que a passarela seja definitivamente interditada. Na última sexta-feira foi realizada a audiência que terminou sem acordo.

 

 

 

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