Proprietário de bovinos encontrados em situação extrema de maus-tratos em Cunha é multado em quase R$ 1 milhão

Mias de trezentos bois e vacas eram mantidos sem água e alimento; ONG pede apoio para acompanhar cuidados veterinários depois de flagrante

Animal em situação extrema de maus-tratos na fazenda em Cunha; responsáveis são indiciados criminalmente (Foto: Divulgação Polícia Ambiental)

Lucas Barbosa
Cunha

Após uma denúncia anônima, a Polícia Militar Ambiental flagrou 302 bovinos na tarde da última quarta-feira (2) em situação extrema de maus-tratos. Os animais estavam em uma fazenda de Cunha, sem água e alimentação, em estado crítico desnutrição.

De acordo com a 4ª Companhia do 3º Batalhão da Polícia Militar Ambiental, sediada em Guaratinguetá, uma grande quantidade de bovinos estava vivendo em condições inadequadas numa propriedade rural no bairro Santa Cruz em Cunha. Ao chegar no local indicado, os policiais se depararam vacas e bois debilitados, sendo que alguns não conseguiam sequer levantar do chão.

Contando com o apoio de veterinários da Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo, pela equipe da base de Guará, os policiais prestaram os primeiros socorros aos animais.

Segundo a Polícia Militar Ambiental, o proprietário da fazenda não estava no local no momento da operação, já que ele permanece em isolamento em São Paulo após testar positivo para a Covid-19. Mesmo ausente, ele foi multado em R$ 906 mil por maus-tratos e deverá responder por crime ambiental. A Polícia Civil de Cunha abriu um inquérito para apurar o caso.

A reportagem do Jornal Atos solicitou uma entrevista à direção do Escritório de Guaratinguetá da Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo, mas o pedido foi recusado.

O Atos buscou também mais detalhes do caso junto à Polícia Civil de Cunha, mas o delegado responsável pelo inquérito não foi localizado até o fechamento desta edição.

Semelhança – A ocorrência de Cunha ganhou repercussão na mídia a partir da última quinta-feira (3), chamando a atenção de entidades de proteção animal do estado. Uma delas é a Organização Não Governamental ARA (Amor e Respeito ao Animal), que desde o fim do ano passado é responsável pela recuperação de cerca de mil búfalas, encontradas em situação extrema de maus-tratos em 6 de novembro em uma fazenda na cidade de Brotas-SP, que fica na região central do estado.

Sem água e alimentos por mais de vinte dias, os animais estavam em estado crítico de desnutrição. As búfalas mais debilitadas estavam sendo devoradas vivas por urubus. Cerca de quarenta animais não resistiram a situação extrema.

Proprietário dos bovinos, o pecuarista, Luiz Augusto Pinheiro de Souza, foi preso por crime ambiental no último dia 27, em São Vicente, no Litoral Sul de São Paulo.

A principal suspeita do Ministério Público é que Souza tivesse a intenção de matar as búfalas para liberar uma área da fazenda para o avanço da plantação de soja.

Ao ser informado sobre o crime ambiental em Cunha, o presidente da ONG ARA, Alex Parente, postou um vídeo nas redes sociais sobre a situação “Estamos sabendo do caso de Cunha, onde os animais foram encontrados na mesma situação das búfalas de Brotas. Infelizmente, devido à distância entre as cidades, que é de quase seiscentos quilômetros, nossa ONG não tem condições de ir até lá”, lamentou. “Peço para que as entidades de proteção animal do Vale do Paraíba se desloquem até o local, para conferir como está a assistência veterinária. Estamos à disposição para auxiliar e orientar as pessoas que possam interceder por estes animais”.

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