Médicos com salários atrasados e funcionários em protesto: “Não tem nem papel higiênico”

Apesar de denúncia de falta de estrutura, Prefeitura garante que situação está normalizada e que deve pagar pendência

Pacientes aguardam atendimento no Pronto Socorro de Cruzeiro; horas de espera virou rotina no hospital (Arquivo Atos)
Pacientes aguardam atendimento no Pronto Socorro de Cruzeiro; horas de espera virou rotina no hospital (Arquivo Atos)

Da Redação
Cruzeiro

Se para os pacientes a situação na Santa Casa de Cruzeiro é alarmante, para quem trabalha no hospital o dia a dia de atendimento também é de lamentar. Com promessas de acordos que acabam não sendo cumpridos, o diálogo com a diretoria é cada vez mais difícil para os médicos, que acumulam atrasos de cinco meses no pagamento, além da falta de estrutura básica.
Relatos de quem trabalha diariamente no local revelam que as condições para o atendimento de pacientes de Cruzeiro e das cidades do Vale Histórico são mínimas. Na cobrança por melhorias, funcionários e médicos chegaram a cruzar os braços por diversas vezes, por atrasos e más condições.
Na última semana, nova paralisação. A falta de pagamento reduziu o atendimento ao emergencial.
Um médico que faz parte da equipe da Santa Casa contou à reportagem do Jornal Atos os problemas enfrentados nos corredores do hospital. “Há casos de atraso em cinco meses. Atrasos que afetam o setor de cirurgia, médicos de retaguarda, pediatria, ginecologia. Hoje, está atendendo só urgência e emergência. A recepção faz a ficha, mas os pacientes são informados que não está havendo atendimento e são direcionados para outro setor de atendimento”, revelou.
Além de pagamentos, os médicos cobram melhores condições para atender a população. No local, a escassa estrutura, principalmente na parte de emergência, onde até mesmo respiradores estão em falta, aumenta o sentimento de revolta entre os profissionais. “Estamos com um déficit de pelo menos seis respiradores. Faltam materiais básicos, isso porque essa parte já foi pior. Já faltou seringa e luvas, hoje não, mas faltam medicamentos”, contou o médico.
Ele salientou que os profissionais não estão cobrando as dívidas sem levar em conta a situação da entidade. O médico destacou que a equipe de atendimento tem acompanhado a evolução da crise do hospital, que tem dívida com fornecedores e um déficit que superou a casa dos R$ 20 milhões. “Eles (Santa Casa) não conseguem comprar ‘fiado’ com as empresas. Os fornecedores cobram pagamento à vista e não há dinheiro, mas algo tem que ser feito. Hoje, temos uma interventora para gerenciar e a diretoria promete melhora, mas dependemos muito do repasse da Prefeitura, que chega todo mês com atraso e as vezes incompletos”, estampou. “A gente hoje trabalha sem a garantia de que vai receber. É lamentável o que vivemos hoje. Tanta falha de administração e deixar milhares de pessoas jogadas no além, com funcionários e médicos que lutam contra todo esse descaso”.
Com os salários em dia, os funcionários fazem coro aos protestos dos médicos. “Não tem nem papel higiênico e nem copo descartável. Agora a interventora parece que vai tirar o almoço dos funcionários e com tudo isso, ninguém consegue um parecer da interventora”, revelou um atendente, que não quis se identificar.
Tudo normal? – Apesar de protestos de médicos e funcionários e dos apelos de pacientes por atendimento, a Prefeitura garantiu que a situação no hospital, que passou a ter intervenção municipal em outubro, está normalizado.
Procurada pela reportagem, a administração destacou que “a situação da Santa Casa de Cruzeiro está controlada e com atendimento normal, não só no Hospital como também no Pronto Socorro da unidade”.
A entidade gerenciada por Maurian Beatriz Triches (a terceira interventora em cinco meses) confirma que atualmente existem três médicos plantonistas atendendo os casos de urgência e emergência no PS e que até a última quarta-feira, a Prefeitura estava estudando o repasse de uma parcela da verba para efetuar o pagamento dos profissionais referente ao mês de fevereiro. A expectativa é de que a administração possa dispor do valor total para arcar com os vencimentos.

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