Com dívida de R$ 20 milhões, prefeitura fecha ESC/Esefic e gera protestos em Cruzeiro

Alegando inviabilidade financeira, prefeito anuncia suspensão de atividades e busca saída para estudantes matriculados; escola superior tem fechamentos com déficit continuo

Manifestação de alunos; estudantes se reúnem a favor da permanência das atividades na faculdade (Foto: Kassiane Ribeiro)

Da Redação
Cruzeiro

A Prefeitura de Cruzeiro confirmou na manhã desta quinta-feira (5) a suspensão das atividades, por tempo indeterminado, da tradicional ESC (Escola Superior de Cruzeiro), antiga Esefic (Escola Superior de Educação Física de Cruzeiro). Segundo o Executivo, a decisão foi motivada pelo acúmulo de dívidas e prejuízos financeiros registrados nos últimos três anos pela autarquia municipal, criada em 1969, que acumula cerca de R$ 20 milhões.

Em nota publicada em sua página oficial no Facebook, a Prefeitura revelou os problemas que culminaram na paralisação das atividades da ESC. De acordo com o Executivo, a autarquia passou a conviver com graves dificuldades financeiras desde o agravamento da pandemia da Covid-19 no país, ocorrido em meados de 2020. Com a consequente redução de matriculados e aumento da inadimplência, a instituição registrou um déficit de R$ 1,8 milhão no ano passado, fato que obrigou a Prefeitura utilizar recursos municipais, divididos em parcelas mensais de R$ 150 mil, para arcar com o prejuízo. Para piorar a situação, uma estimativa técnica apontou que o funcionamento da autarquia em 2023 resultaria em um “rombo” ainda maior, que poderia chegar a R$ 3 milhões.

Durante entrevista concedida ao programa Atos no Rádio no fim da manhã desta quinta-feira, o prefeito Thales Gabriel Fonseca (PSD) lamentou a suspensão das atividades da ESC e ressaltou que a medida busca evitar que o Munícipio seja novamente obrigado a destinar recursos para cobrir um novo déficit da autarquia, situação que comprometeria o equilíbrio financeiro de Cruzeiro e a realização de melhorias em outras áreas. “Sabemos da importância histórica e do carinho que a população tem pela ESC, mas tivemos que tomar essa decisão porque desde 2020 ela vem amargando prejuízos contundentes. Já que temos responsabilidade com o cofre municipal, precisamos tomar essa atitude para evitar que o déficit da autarquia, que já está em quase R$ 20 milhões, continuasse crescendo. Em relação à essa dívida, ela engloba desde pendências com fornecedores até processos trabalhistas de ex-funcionários”.

Ao longo da entrevista do prefeito, diversos estudantes da ESC comentaram na live do Jornal Atos, transmitida pelo Facebook e pelo Youtube, criticando a decisão da Prefeitura. Universitária que mais enviou mensagens pelo Facebook, Maria Luiza Maciel, demonstrou sua indignação e preocupação. “Não é justo fazer isso de uma hora para a outra. E os sonhos que vocês destruíram com tanta facilidade? Parece que não sabem a luta de cada um, aliás não sabem mesmo. Uma tremenda falta de respeito com todos os alunos da instituição. Queremos uma resposta, queremos terminar nossa graduação”.

Dayane Laiza, que acompanhou a entrevista pelo Youtube, questionou o gasto municipal com outras ações ao invés de melhorias na faculdade e a fala do prefeito de que a ESC contava com um número insuficiente de alunos para prosseguir operando. “Enquanto nós precisávamos de luz no banheiro, a descarga estava quebrada, água era da torneira, teto do corredor caindo, o prefeito estava gastando dinheiro com luzes de Natal ou eventos festivos. É mentira do prefeito, quero ver ele ir lá faculdade para ver se ele saber contar a quantidade de alunos”.

Ainda durante a entrevista, Fonseca deu mais detalhes das circunstâncias que inviabilizaram a continuidade do funcionamento da autarquia e das ações que estão sendo realizadas para amenizar os transtornos causados aos alunos que ainda não concluíram as graduações.  “Infelizmente, a ESC teve apenas cem matriculados para os cursos 2023, entre eles muitos bolsistas, o que tornou financeiramente inviável manter suas atividades. Creio que essa baixa procura se deve pela forma agressiva que está funcionando o mercado pós-pandemia, já que surgiram muitos cursos a distância com mensalidades muito mais baratas do que as das faculdades presenciais”, contou o prefeito. “Chegamos a conversar com grupos empresariais para uma possível privatização da ESC, mas não houve interessados, pois ela só vem dando prejuízo. É importante ressaltar que estamos negociando com outras faculdades da região para que elas possam receber os alunos da ESC ainda em formação, inclusive os bolsistas, evitando assim prejuízos acadêmicos”.

Protesto – Um grupo de cerca de trinta estudantes foram a praça 9 de Julho, em frente à Prefeitura para cobrar Fonseca uma solução para manter as atividades da ESC. Aluna do segundo ano de enfermagem, Letícia Maia revelou que o grupo conseguiu formar uma comissão de estudantes para debater a situação junto ao prefeito. “temos representantes que falaram com o prefeito. Ele quer transferir para outras instituições, em outras cidades, mas muitos alunos que não têm como pagar. Só queremos que abram a ESC”.

Sobre uma possibilidade de auxílio da Prefeitura para bancar o final dos estudos de alunos da ESC, Letícia citou a dificuldade. “Acho isso muito difícil. Se for para ir para outra faculdade, tem muita coisa que dificulta. Por exemplo, outras faculdades têm grade diferentes e isso atrapalha também”.

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