Déficit de 30% na segurança pública segue prejudicando trabalho da polícia na região

Carência com efetivo e estrutura atinge municípios como Cruzeiro, Cachoeira Paulista, Lorena e Canas

A Delegacia de Lorena, uma das que cobram ampliação da frota da polícia; Estado volta ao foco das críticas após demora no reforço (Foto: Arquivo Atos)
A Delegacia de Lorena, uma das que cobram ampliação da frota da polícia; Estado volta ao foco das críticas após demora no reforço (Foto: Arquivo Atos)

Da Redação
Região

Após deixar o cargo de governador do Estado de São Paulo, na última sexta-feira, Geraldo Alckmin (PSDB) deixou um déficit de 30% na Segurança Pública da RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba). São 19 municípios que sofrem com essa carência, com destaque para Cruzeiro e Pindamonhangaba, com 16 cargos em defasagem cada.

Hoje, a Polícia Civil tem um déficit de 12.274 cargos. Existem 41.912, mas apenas 29.638 estão preenchidos. De acordo com o Defasômetro do Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de SP), atualizado no dia 31 de março, a polícia conta com uma carência de 615 delegados.

Outros cargos da Polícia Civil com déficit são de investigador, escrivão, agente, papiloscopista e carcereiro. Entre as 19 cidades da região com déficit estão Cruzeiro e Pindamonhangaba, com 16 policiais a menos que o necessário (cada), Cachoeira Paulista e Lorena (oito cada), Caçapava com sete, Guaratinguetá quatro, Piquete três, Areias, Canas e Silveiras um cada.

Em dezembro, o Jornal Atos mostrou que uma ação reuniu delegados da região para o protesto contra a defasagem. A presidente do Sindpesp, Dra. Raquel Gallinati, criticou o Estado e ressaltou ainda a insatisfação da categoria diante do fato de que os seis mil aprovados em um concurso público de 2013 ainda não foram contratados.

Ela destacou na época que o quadro de funcionários da Polícia Civil de São Paulo foi idealizado há mais de duas décadas, não havendo um acompanhamento do crescimento populacional. Além de sobrecarregar os policiais, o déficit acaba dificultando o combate à criminalidade.

Desde o começo da gestão de Alckmin, em 2011, o Vale do Paraíba recebeu 5,8% da frota de novas viaturas das polícias Civil e Militar. Durante seu mandato, foram 13.996 viaturas policiais para as cidades paulistas, sendo 10.355 viaturas para a Polícia Militar e 3.641 carros para a Polícia Civil. Já o Vale do Paraíba foi atendido com 818 viaturas, 595 da Polícia Militar e 223 da Polícia Civil.

De acordo com a secretaria de Segurança Pública do Estado, a distribuição de viaturas é feita a partir de critérios técnicos, frota e o efetivo existentes na região.

Crimes – Falhas no atendimento de reforço ao policiamento ampliam as condições para o cenário regional, líder há anos no ranking da criminalidade. Segundo levantamento da secretaria de Segurança Pública do Estado, assim como em 2017, o Vale do Paraíba teve trinta moradores assassinados em fevereiro deste ano. Com quatro homicídios dolosos (quando existe a intenção de matar), Guaratinguetá foi o destaque negativo da sub-região 3, que conta com nove municípios.

Segundo o levantamento, enquanto 27 pessoas foram vítimas de homicídios, outras três foram mortas em latrocínios (roubo seguido de morte). O Vale do Paraíba possui a maior taxa de vítimas de homicídios a cada cem mil habitantes, tendo mais do que o dobro do índice registrado na Capital. No Vale, a taxa atualmente é de 13,28 vítimas a cada cem mil habitantes, enquanto na Capital o índice é de 6,53.

 

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