Santas Casas temem suspender serviços após aumento na folha de pagamento

Reajuste para o piso da enfermagem aumenta déficit nos hospitais sem previsão de repasse de verbas pelo governo

Sala de espera do pronto atendimento da Santa Casa de Lorena; aumento salarial na saúde coloca em risco continuidade no serviço (Foto: Arquivo Atos)

Andréa Moroni
RMVale

A lei que estabelece o piso salarial nacional para enfermeiros, técnicos de enfermagem, auxiliares de enfermagem e parteiras entrou em vigor, no último dia 5, com a publicação no Diário Oficial da União. Comemorado pelos trabalhadores do setor, o novo acréscimo na folha de pagamento, as Santas Casas da região temem ter que paralisar os atendimentos devido à falta de dinheiro.

A Lei 14.434 estipula que, em todo o país, enfermeiros não poderão receber menos que R$ 4.750 independentemente de trabalharem na iniciativa privada ou no serviço público federal, estadual, municipal ou do Distrito Federal. Para técnicos de enfermagem, o salário não pode ser inferior a 70% deste valor, ou seja, a R$ 3.325. Já os auxiliares e as parteiras não podem receber menos que a metade do piso pago aos enfermeiros, ou seja, abaixo de R$ 2.375.

Mas enquanto enfermeiros e outros profissionais da área comemoram, hospitais da região demonstram preocupação com as condições financeiras para arcar com o novo piso. De acordo com o vice provedor da Santa Casa de Lorena, Luiz Gustavo Matos Oliveira, o impacto na folha da instituição será de R$ 723 mil. “Esse valor é a metade da folha atual. Eu não sou contra a instituição do piso, acho justo, o problema é que nem os governos estadual e federal disseram de onde vai sair o dinheiro para pagar esse reajuste”.

A folha de pagamento da Santa Casa custa atualmente R$ 1,876 milhão. Com o reajuste do piso da enfermagem, o valor subirá para R$ 2,598 milhão. “No ano nós vamos ter um déficit de R$ 9 milhões. E fundo de custeio não cobre isso. Atualmente, a Santa Casa tem 700 funcionários, sendo que 415 são da área de enfermagem”.

O novo valor do piso estabelecido por lei já deve ser pago em setembro, o que deixa o vice-provedor bastante preocupado. “Nós não temos esse valor em caixa e o meu temor é que seja necessário parar a Santa Casa, deixando os moradores de Lorena e região sem atendimento”.

Guaratinguetá – O impacto na folha da Santa Casa de Guaratinguetá também deve ser grande. Segundo o diretor administrativo do hospital, André Barros Monteiro Junior, a estimativa é que o impacto seja em torno de R$ 620 mil por mês. “A folha de pagamentos da Santa Casa custa, em média, R$1,3 milhões. Com o piso salarial, passará para R$ 1,9 milhão”.

A Santa Casa de Guaratinguetá tem 260 funcionários, somente da enfermagem. “A tabela SUS, não sobre aumento há anos, o aumento nos custos de materiais e medicamentos está bem expressivo. Os dissídios coletivos dos últimos dois anos já nos deixaram muito fragilizados financeiramente, ampliando o déficit financeiro”, explicou Monteiro.

O diretor administrativo não descartou o risco de suspender alguns serviços para poder manter as portas abertas. “Durante a visita do governador na região, entregamos uma solicitação de recursos para tentar cobrir esse gasto, porém não obtivemos retorno”.

Aparecida – A realidade na capital católica não é diferente. A Santa Casa de Aparecida terá um aumento de R$ 250,8 mil na folha de pagamento. Segundo o administrador do hospital, Frei Bartolomeu Schultz, a instituição financeira não dispõe de recursos para esse reajuste.

A Santa Casa possui 154 colaboradores da área da enfermagem sendo 117 técnicos de enfermagem, 35 enfermeiros e dois auxiliares de enfermagem. “Estamos aguardando manifestações de Federação das Santas Casas e da representação dos hospitais filantrópicos no Brasil para decidir que atitudes iremos tomar”, informou o frei.

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