Cesta básica fica R$ 475 mais cara na RMVale

De acordo com Nupes, alimentos sobem quase 200% acima da inflação para período de 12 meses; preços nas prateleiras da região assustam consumidores em meio à queda de rendas familiares

Preços nas prateleiras de supermercado têm assustado consumidores; alimentos sobem quase 200% (Foto: Marcelo A. dos Santos)

Marcelo Augusto dos Santos
RMVale

Em virtude da pandemia do novo coronavírus e a instabilidade política, a crise tem afetado todos os setores econômicos do país. Entre os aspectos está o impacto nas prateleiras dos supermercados. Um levantamento realizado pelo Nupes (Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais), da Unitau (Universidade de Taubaté) apontou elevação do preço médio da cesta básica na RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte), que está R$475 mais cara.

De acordo com a pesquisa, a cesta básica na RMVale está sendo comercializada com preço médio de R$ 2.185,65 no mês de agosto, o que gerou um aumento de 27,7%. Desde do início da pandemia, os alimentos subiram quase 200% da inflação para o período de 12 meses.

Para o pesquisador do Nupes, Edson Trajano, as famílias de baixa renda são as mais afetadas. “A alimentação pesa muito mais nas famílias de baixa renda, pois no último ano nós tivemos uma redução média na renda das famílias de 5,5%, (…) as pessoas que perderam emprego aqui na nossa região acabam trabalhando por conta própria, então qual o resultado? As famílias estão a cada dia com menos dinheiro para fazerem suas compras e o preço dos produtos básicos estão subindo bastante”, explicou o professor.

Essa realidade é vivida pelo publicitário Randal Guimarães, que teve que mudar suas compras para se adequar aos novos preços. “Eu divido os gastos de supermercado com o meu marido, mas ainda assim foi possível sentir a diferença com esse aumento dos preços dos produtos. Há algum tempo era possível comprar tudo o que precisávamos para passar o mês com cerca de R$ 300. Hoje, para nós, esse valor não é o suficiente para uma compra que dure os três dias”, salientou Guimarães.

Para tentar não ter as finanças apertadas no final do mês, Guimarães informou que busca por outras fontes de renda. “Estamos sempre buscando serviços extras para complementar a renda mensal, dessa forma conseguimos passar o mês com mais tranquilidade”.

Para a educadora financeira Luciana Ikedo, a melhor forma de diminuir os gastos é fazendo um planejamento financeiro. “A primeira recomendação que dou é que se pense antecipadamente de qual será o cardápio que a família vai consumir, e que sejam feitas uma lista de supermercado e feira antes de sair às compras. Eu planejo o que é que vou comprar, e desta maneira a gente consegue comprar a quantidade correta e não cair na tentação de comprar outras coisas nos supermercados”, orienta Luciana.

Ainda, segundo Luciana, as famílias também devem procurar um nutricionista para evitar doenças causadas pela mudança nos hábitos. “Se houver a possibilidade de consultar um nutricionista seria muito bom, porque você conseguiria realmente ter acesso ao cardápio, para que não haja nenhum déficit nutricional”, finalizou.

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