Após morte de capivaras, Ubatuba tem ação para impedir contágio de raiva em humanos

Parque adota medidas na cidade, que registrou óbito em 2018; turistas devem evitar contato com animais

Agente da Vigilância Epidemiológica de Ubatuba com o morcego, um dos principais transmissores da raiva (Foto: Reprodução PMU)

Lucas Barbosa
Ubatuba

Causadas pelo vírus da raiva, a morte de três capivaras no Parque Estadual da Ilha Anchieta no início de fevereiro levou o departamento de Vigilância de Saúde de Ubatuba a emitir um alerta no último dia 19 para que os turistas evitem contato com animais silvestres no local. Temendo que a doença faça vítimas humanas, o Estado adotou um plano de ações preventivas no espaço público.

Fundado em 1977 e com uma área de quase 8,26 km², o Parque da Ilha Anchieta, além de capivaras, conta com diversas espécies de animais como gaivotas, lagartos, macacos, morcegos, gambás, quatis, tatus, beija-flores e tartarugas marinhas. De 1908 a 1953, a Ilha Anchieta abrigou um presídio estadual. As ruinas da prisão são um dos principais atrativos turísticos do local, que também é muito procurado por biólogos que estudam a flora da região.

De acordo com a direção da Vigilância de Saúde de Ubatuba, no fim da primeira semana de fevereiro parte da equipe técnica do Parque Estadual se deslocava por um trecho da área de proteção ambiental quando se deparou com as capivaras mortas em uma região de mata aberta. Como os mamíferos não apresentavam ferimentos, os profissionais coletaram amostras de sangues e as encaminharam ao Instituto Pasteur, órgão estadual especializado em pesquisas e diagnósticos de raiva animal. A unidade confirmou que elas foram vítimas da doença, que causa inflamação e infecção no cérebro de animais e seres humanos.

Para evitar o contágio em moradores de Ubatuba e turistas, a Vigilância de Saúde revelou que após tratativas com os gestores do espaço público foi definida a intensificação de ações de conscientização no local a partir da próxima semana. Ao entrarem no parque, os visitantes serão informados sobre as principais maneiras de evitarem a contaminação, como não se aproximarem de animais silvestres, principalmente morcegos e capivaras. Caso ocorra o contato, como uma mordida ou lambida, o turista deverá se dirigir ao setor administrativo do parque, que o encaminhará ao atendimento médico. Os funcionários que atuam no ponto turístico foram vacinados na última semana.

Essas medidas tentam evitar que a cidade litorânea registre novamente mortes causadas pela raiva em humanos, como a de um turista paranaense de 24 anos que faleceu em 9 de março de 2018 após ser mordido por um morcego no bairro Casanga.

Raiva – Divulgado em 2017, um estudo integrado entre o Ministério da Saúde e a UnB (Universidade de Brasília) apontou que a raiva causa uma média de 59 mil mortes de pessoas no mundo por ano. No Brasil, entre 1990 e 2017, 594 habitantes perderam as vidas em decorrência da doença, transmitida principalmente por morcegos.

A raiva é transmitida ao homem pela saliva e arranhões de animais infectados como capivaras, cães, gatos e morcegos. Segundo o estudo, a raiva é uma doença quase sempre fatal, para a qual a melhor medida de prevenção é a vacinação.

 

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