Desistência de Viera transforma debate da Unifatea em sabatina com Marcondes

Ballerini volta a rejeitar debates e eleitor fica sem confronto direto entre candidatos em Lorena

Isolado. Fábio Marcondes foi o único a participar de debate que virou sabatina, no Unifatea (Leandro Oliveira)
Isolado. Fábio Marcondes foi o único a participar de debate que virou sabatina, no Unifatea (Leandro Oliveira)

Francisco Assis
Leandro Oliveira
Lorena

Os eleitores de Lorena irão mesmo para as urnas sem a chance de acompanhar um confronto direto entre os três candidatos à Prefeitura. A tentativa do Unifatea (Centro Universitário Teresa D’Ávila) de reunir os prefeituráveis caiu por terra após mais uma falta de Sylvinho Ballerini (PTB) e da desistência, minutos antes do evento, de Elcio Vieira (PV), transformando o debate em uma sabatina com o único presente, o atual prefeito Fábio Marcondes (PSDB).

Na última semana, o encontro promovido pela Rádio Monumental, em Aparecida, contou apenas com Marcondes e Vieira. Na tentativa de colocar os três concorrentes frente a frente, o centro universitário reuniu a Diocese de Lorena e entidades assistenciais da cidade. O que virou foco do tumulto.

Na semana anterior ao evento, a presença de Sylvio Ballerini já era tida como incerta. Além de não participar do debate, a coligação do candidato “Lorena pode muito mais” anunciou um comício para o mesmo horário.

Em nota enviada à organização, a coligação ressaltou que o candidato do PTB “prioriza debates com a população” e que “se coloca à disposição para responder ás entidades e à população diretamente”.

Sem Ballerini, coube a Vieira e Marcondes o confronto. Mas o representante do PV não concordou com a presença de pessoas que seriam ligadas às instituições.

Advogados e o filho de Vieira, Elcio Vieira Junior (que é candidato a vereador) discutiram com a organização do debate. Eles pediam a abertura do espaço para seus partidários que esperavam do lado de fora do Unifatea. “As regras do debate não foram obedecidas. Tem pessoas que estão com crachás de entidades as quais não pertencem. Não nos falaram que seria fechado, não nos deram os mesmos direitos. O auditório é grande, cabe todo mundo, pra que cercear o direito das pessoas assistirem? Parece que foi levado para o lado pessoal”, acusou Elcio Vieira.

A assessora de imprensa do Unifatea, Milena Coura, negou qualquer tentativa de beneficiar candidatos. “Houve uma desistência de última hora, por conta da presença de representantes de entidades municipais. Foi feito um convite, impresso e por e-mail, e estava bem claro que apenas dois representantes poderiam participar na plateia. Isso estava na cláusula, e foi assinada no dia 22 de agosto. Era de conhecimento de todos os candidatos e dos assessores”.

Milena disse que a organização foi surpreendida com a reação do candidato, já que a clausula era clara sobre o convite de dois representantes das principais entidades de Lorena, como ONG’s, associações e sindicatos para participarem na plateia. “Também fomos pegos de surpresa, por eles não terem entendido que não haveria uma plateia dentro do teatro. Eles (Élcio Vieira e assessores) queriam que entrassem alguns convidados. Nós até abrimos essa exceção, se houvesse acordo entre os partidos, mas não houve e não deixaríamos de realizar o debate por conta de um não acordo entre eles”.

Coligação de Vieira discute com organização do debate, antes de desistir; regras limitaram participantes na plateia (Francisco Assis)
Coligação de Vieira discute com organização do debate, antes de desistir; regras limitaram participantes na plateia (Francisco Assis)

A coligação de Vieira havia pedido que a organização deixasse cerca de vinte partidários assistirem ao debate do auditório. Foi proposto, pelo PSDB, que apenas cinco pessoas entrassem. O candidato do PV não concordou e abandonou o debate.

Com a desistência, o encontro acabou transformado em sabatina. Marcondes passou a responder perguntas feitas por convidados, moradores e do próprio Unifatea. “Com a presença dele (Fábio Marcondes), o candidato mostra respeito a nós, está nos honrando”, salientou Don João Inácio Müller, bispo de Lorena.

Enquanto correligionários de Vieira soltavam fogos nas ruas, o candidato tucano respondeu sobre acessibilidade, transporte coletivo, coleta e cuidados com o lixo, geração de empregos, Guarda Mirim, moradores de rua, estagiários, segurança pública e atenção às áreas próximas às faculdades.

“Foi um encontro produtivo, chance de mostrar ideias, mas ao mesmo tempo fica a frustração, porque não tivemos os dois adversários. O primeiro nós já sabíamos que não iria, porque não tinha conteúdo para apresentar e debater suas ideias. É um vazio político e uma inexperiência tremenda. O outro tomou uma atitude absurda, pois a regra pré-estabelecida foi assinada, mas tumultuou para que não houvesse o debate. Fui sabatinado e a população pode conferir o que estamos fazendo pela cidade”, analisou Marcondes.

Do lado de fora, partidários de Vieira já protestavam antes mesmo do evento (Francisco Assis)
Do lado de fora, partidários de Vieira já protestavam antes mesmo do evento (Foto: Leandro Oliveira)

Para o candidato, o maior prejudicado foi o eleitor. “A população de Lorena não teve a oportunidade de ver quem é o melhor candidato. Essa atitude demonstra que o que eles querem é o poder pelo poder. Essa campanha é uma repetição da campanha de 2012, pois as correntes políticas que vencemos estão subdivididas nos meus adversários. Não dá para fazer política assim”, frisou. “Fica uma lacuna para a população e para as entidades. Uma falta de compromisso deles”, finalizou.

Quem também lamentou a desistência de Vieira e a ausência de Ballerini foi o reitor do Unifatea, Wellington Oliveira. “Acredito que o peso dessa ausência é a negação da democracia participativa. Democracia se faz com debates, trocas de ideias, ocupação de espaço e configurações. E quando eu deixo de ouvir a voz de outro candidato, eu deixo de entender esse entrelaçamento de vozes para escutar apenas uma opinião. Democracia participativa é entendimento e participação. Quem perde com essas ausências é a população de Lorena”, sentenciou.

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