Sem definição, Comissão de Saúde pede cancelamento do Carnaval de Guará; Yasumura também é contrário

Aumento de casos com avanço da ômicron e ocupação de leitos respaldam pressão por “não” ao evento; relatório da Câmara aponta riscos para saúde na cidade

UPA 3, que voltou a centralizar atendimento a pacientes com Covid-19 e gripe, após explosão de casos (Foto: Reprodução PMG)

Leandro Oliveira
Guaratinguetá

A primeira quinzena de janeiro já ficou pelo caminho e a Prefeitura de Guaratinguetá mantém a realização do Carnaval deste ano, prevista para o fim de fevereiro e início de março. Mesmo com um aumento de casos e internações em leitos exclusivos para pacientes com a Covid-19, o Executivo banca a realização da festa.

Apesar do posicionamento, a oposição à realização do evento cresce. A Comissão de Saúde da Câmara elaborou um ofício e encaminhou a Prefeitura pedindo o cancelamento da folia, devido ao avanço da variante ômicron e do surto de gripe.

O ofício tem a assinatura do presidente da comissão, Marcelo Augusto ‘da Santa Casa’ (PSD). O parlamentar citou no documento o aumento vertiginoso de novos casos de infecção pela Covid-19 e o surgimento da variante gripal H3N2, que se espalha por toda a região. “Não faz sentido algum manter as festividades do Carnaval no calendário de 2022, quando já se apresenta um cenário de crescimento relevante destas novas infecções, que inclusive já lotam os equipamentos de saúde pública”.

A afirmação feita pelo vereador é confirmada por quem passa próximo aos pontos de atendimentos dos casos de síndrome gripal, mas principalmente por quem precisa ir até as unidades de saúde. A secretária de Saúde de Guaratinguetá, Maristela Macedo, confirmou ao Atos no Rádio do último dia 5, que nos primeiros dias do ano, o município registrou média acima de duzentos atendimentos a pessoas com sintomas gripais ou de Covid-19 por dia.

Outra preocupação listada é com o controle sanitário nos dias de festa, já que o Município realiza eventos durante o Carnaval que são praticados na rua. “Prefeito, reveja nossa situação atual e tome a decisão mais acertada para o momento, qual seja, promova o imediato cancelamento das festividades carnavalescas na cidade de Guaratinguetá neste ano de 2022”, reforçou Marcelinho da Santa Casa.

Por nota, a Prefeitura informou que não há qualquer alteração do que já foi divulgado anteriormente. “A Prefeitura segue monitorando e analisando junto à secretaria de Saúde o cenário atual e os últimos acontecimentos. Inclusive, como já foi mencionado anteriormente, não está descartado, se necessário, o cancelamento do evento por motivos de evolução dos casos de Covid-19 e síndrome gripal. Em breve haverá uma reunião do Comitê de Combate à Covid-19 e epidemias para nova discussão”.

O ofício foi encaminhado ao gabinete do prefeito em exercício, Régis Yasumura (PL). Marcus Soliva (PSC) está em recesso e retorna ao comando do Executivo no final deste mês.

Yasumura foi procurado pela reportagem do Jornal Atos, mas não respondeu sobre o planejamento para o período carnavalesco até o fechamento desta matéria. Mas nas últimas semanas, o vice chegou a afirmar que é contrário a realização. Em entrevista ao programa Vai Encarar, da TV Vale, ele se manifestou. “Eu tenho muita tranquilidade para falar que sou contra o Carnaval”, afirmou. “No ano de 2022, eu, Régis Yasumura, sou contra a realização do Carnaval. Grandes carnavais já foram cancelados, Carnaval de rua, marchinhas, blocos, enfim. O Governo do Estado já decretou a proibição do Carnaval em locais fechados e o Carnaval de rua. Já está tudo cancelado”.

Sem uma definição do Município, o calendário continua mantido. Em 2022, o Carnaval de Guaratinguetá terá os desfiles das escolas de samba, porém sem a competição entre as agremiações. A Oesg (Organização das Escolas de Samba) realiza nos primeiros finais de semana de janeiro a definição das mini-rainha, rainha e rainha gay da folia deste ano.

Enquanto Guaratinguetá não decide oficialmente sobre a realização do Carnaval, outros municípios como as vizinhas Lorena, Aparecida, Cachoeira e até mesmo cidades com forte apelo ao período como São Luiz do Paraitinga, Caraguatatuba e Piquete, já anunciaram o cancelamento dos festas carnavalescas.

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