Escolas de samba divergem sobre júri e colocam em risco desfile de Guará

Atual campeã, Mocidade pede cumprimento de regulamento e cogita reunião interna em caso de descumprimento; Embaixada, Acadêmicos e Bonecos aguardam Oesg

O presidente da Mocidade Alegre, Gabriel Barros, durante premiação em 2019; escola cobra definição da Oesg para desfile(Foto: Arquivo Atos)

Leandro Oliveira
Guaratinguetá

A indefinição sobre a escolha do júri do Carnaval de Guaratinguetá tem gerado um debate em torno da possível desistência de escolas de samba no desfile competitivo deste ano. As informações extraoficiais são que as divergências de opiniões sobre os jurados paulistas ou mistos (paulistas e fluminenses) podem levar a um racha entre as competidoras. Oficialmente, nenhuma agremiação confirmou que vai desistir de competir.

A atual campeã, Mocidade Alegre do Pedregulho, a Embaixada do Morro e o Acadêmicos do Campo do Galvão contestam a escolha pelo júri misto e já apresentaram recurso à Oesg (Organização das Escolas de Samba de Guaratinguetá). O grupo de escolas alega falta de representatividade da Beira Rio, que participou da votação para definir o júri, mas não teria um representante oficial e legal para emitir seu voto.

À época, Mocidade, Embaixada e Acadêmicos votaram pelo júri paulista. Unidos da Tamandaré, Bonecos Cobiçados e Beira Rio, pelo júri misto. A Oesg definiu o júri misto, após o empate, e, em seguida, a Beira Rio desistiu do desfile por não ter um representante oficial, já que há divergências entre membros da diretoria sobre quem preside e dirige a escola. Com isso, há conflito de opiniões sobre essa votação, que terminou 3 a 3, mas poderia ter terminado 3 a 2, com a ausência legal da Beira Rio. “A Mocidade vai manter seu posicionamento, seu voto, como é de direito no artigo 35 do regulamento, da aprovação do mesmo corpo de jurado que vem avaliando o nosso Carnaval. Foram duas avaliações muito bem feitas por essa equipe. No ano de 2018 a Mocidade foi a última colocada, trabalhamos em cima de tudo que a gente perdeu nota, todos os nossos erros. Com o nosso trabalho árduo, no ano de 2019 fomos campeãs”, detalhou o presidente da Mocidade, Gabriel Barros. “Temos convicção que é um júri de excelente técnica e tem um gabarito à altura para avaliar o nosso Carnaval. Para a Mocidade não tem mudança, venceu nos dois últimos anos quem passou melhor pela avenida”.

Questionado se a escola pretende não desfilar competitivamente, caso seja mantida a decisão pelo júri misto, o presidente da Mocidade afirmou que se for descumprido um dos artigos, será definido o futuro do desfile da agremiação. “A Mocidade respeita e está pautada no artigo 35 do nosso regulamento, que menciona que aprovação do corpo de jurado é aprovado (sic) pelas agremiações. Se o regulamento for respeitado, a Mocidade respeita toda as opiniões das coirmãs. Se o artigo não for respeitado, rasgando assim o nosso regulamento, aí vamos sentar e conversar para vermos o que vamos decidir”.

Os representantes das escolas Embaixada do Morro, Acadêmicos do Campo do Galvão e Bonecos Cobiçados foram procurados, mas não quiseram se manifestar, alegando que apenas a Oesg poderia falar o caso. Todas agremiações descartaram desistir da competição no momento.

O representante da Unidos da Tamandaré não foi encontrado. Presidente da Oesg, Maurício Fernandes foi procurado, mas preferiu não comentar o imbróglio e alegou compromissos particulares.

 

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