Reaberto há 15 dias, PS de Cruzeiro volta a falhar no atendimento

Hospital tem falta de remédios e problemas na assistência básica; pacientes denunciam descaso

Pacientes aguardam na sala de espera do Pronto Socorro; na parede, quadro de informações em branco (Foto: Andreah Martins)
Pacientes aguardam na sala de espera do Pronto Socorro; na parede, quadro de informações em branco (Foto: Andreah Martins)

Andreah Martins
Cruzeiro

Com menos de um mês de reabertura do Pronto Socorro, a situação da Santa Casa ainda é crítica. Moradores denunciaram a falta de medicamentos e displicência no atendimento no PS e na ala de conveniados.

A primeira impressão de quem necessita de uma assistência é a falta de médico, já que o quadro de plantonistas que fica na parede lateral da recepção não possui marcações. Além da falta de informação, há longa fila de espera em horários de pico.

De acordo com o responsável por um jovem que tinha acabado de ser atendido, há apenas um clínico-geral em trabalho. “Ele torceu o pé e o médico receitou só um remédio para passar a dor. Perguntei se tinha quebrado, se ia fazer raio-x, mas ele disse que não está funcionando e que, se tivesse quebrado, não estaria apoiando o pé”.

Além da ala de ortopedia não estar em funcionamento, outro problema relatado foi a falta de medicamentos e amparo a um senhor que sofreu AVC (Acidente Vascular Cerebral) na última semana. “O meu tio teve AVC e foi para o PS da Santa Casa. Lá, ele ficou de segunda para terça. Por volta das 9h, minha tia foi até o hospital para ver a situação dele, e neste intervalo a Santa Casa o mandou para a casa, sem medicamentos e sem solução. Ele está muito ruim mesmo”, relatou a sobrinha do paciente, que preferiu não se identificar.

A cruzeirense contou ainda sobre problema enfrentado com a volta de seu tio para casa, já que não havia ninguém no local. “Como ela (tia) tinha ido visitá-lo, não estava em casa. Então, o motorista da ambulância disse que não podia esperar e deixou meu tio muito desacomodado na casa de um vizinho. É um descaso. Ele foi mandado para casa sem nenhum conforto e nem medicado”.

Na ala de conveniados, uma comerciante que chegou ao hospital com alto nível de pressão, também não teria recebido boa assistência médica.

Ela precisou do atendimento particular por duas vezes, entre os dias 21 e 24 e acabou voltando no dia 27, quando a situação era mais grave. “No dia 27, foi um dia crítico. Entrei à 9h com uma crise hipertensiva altíssima, só me deram um Diazepam para tomar e mais nada. Isso no convênio da Unimed, dentro da Santa Casa. Tinha um médico displicente brincando no Facebook que não me deu atenção”.

A paciente contou ainda que a família pediu transferência para o hospital do convênio em Lorena, devido à falta de recursos da irmandade, em Cruzeiro. “Eu estava com dor no peito e não tinha ninguém para fazer eletro. Não tinha agulha e nem medicamento. Quando foram aplicar uma medicação, tive que pedir ao meu marido para buscar uma agulha na nossa loja para injeção do soro. O remédio que eu precisava tomar também teve que ser comprado por ele”.

A moradora não tem esperança na melhoria do atendimento após o ocorrido. “Com essa falta de pagamento, eles (funcionários) acabam não tendo motivação para trabalho. Não é em uma semana que iriam resolver. O PS só voltou da Vila Paulo para Santa Casa por motivos políticos. Por causa da falta de recursos que o hospital não tem, as pessoas estão morrendo”, desabafou.

Prefeitura – Procurada pelo Jornal Atos, a Prefeitura de Cruzeiro afirmou através do secretário de Saúde Wagner Streiterberger, que o “Pronto Socorro de Cruzeiro oferece atendimento de seis médicos por plantão, sendo dois clínicos emergenciais, um ortopedista, um cirurgião e um pediatra.

O equipamento envolve ainda uma farmácia, estocada quinzenalmente com R$ 200 mil reais (valor investido em materiais e medicamentos). A estrutura aberta no sistema 24 horas tem três leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), sala de internação masculina, sala de internação feminina e setor de pediatria, com dez leitos. O PS também reúne recepção e sala de triagem. No momento, Cruzeiro e os 11 municípios atendidos pelo PS estão 100% assistidos”.

Questionada sobre a ala dos conveniados, a reportagem não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

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