Após blitz do TCE, Cruzeiro promete melhorias na Santa Casa

Hospital passa por reformulação no planejamento de gestão; unidade enfrenta problemas estruturais e de atendimento

Há quase cinco anos sob intervenção, Santa Casa de Cruzeiro enfrenta dívida de R$ 20 milhões em 2019 (Foto: Jéssica Dias)
Há quase cinco anos sob intervenção, Santa Casa de Cruzeiro é diagnosticada com situação mais difícil da região (Foto: Arquivo Atos)

Lucas Barbosa
Cruzeiro

Considerada pela fiscalização do TCE (Tribunal de Contas do Estado) como a que enfrenta a situação mais preocupante no Vale do Paraíba, a gestão da Santa Casa de Cruzeiro informou na última terça-feira que vem adotando medidas para elevar a qualidade do serviço oferecido à população. O levantamento do órgão apontou diversas falhas estruturais, organizacionais e de atendimento aos pacientes.

Distribuídos por 229 cidades paulistas no último dia 25, fiscais do TCE realizaram blitz surpresas em 268 unidades municipais de saúde e 32 estaduais. A ação buscou averiguar a condição estrutural dos prédios e a qualidade do atendimento aos usuários da rede pública de saúde.

Na RMVPL (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte), além de Cruzeiro, ocorreram vistorias em Aparecida, Areias, Canas, Campos do Jordão, Ilhabela, Jacareí, Lagoinha, Lavrinhas, Lorena, Paraibuna, Pindamonhangaba, Piquete, São Sebastiao e Taubaté.

Apontada pelo relatório do TCE como a unidade em que foram verificados mais problemas, a Santa Casa de Cruzeiro apresentou desde a falta de licença de segurança para seu funcionamento, o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros), até o armazenamento de medicamentos vencidos no estoque.

Na parte estrutural do prédio foram verificadas más condições da sala de espera, banheiros inadequados (ausências de papel higiênico, assentos nas privadas e tampa da válvula hidra), baixa acessibilidade para cadeirantes e falta de uma porta segura na sala de estoque de medicamentos. Ao chegarem na recepção do hospital, os fiscais se depararam ainda com um morador em situação de rua dormindo em cima de um cobertor em um canto do chão, com diversos pertences espalhados.

Já em relação à assistência oferecida aos pacientes, os agentes constataram que a unidade não conta com atendimento preferencial (idosos, gestantes e portadores de necessidades especiais) e local destinado exclusivamente para o tratamento de casos de dengue. No relatório, os fiscais descrevem ainda que “notamos que as recepcionistas não são cordiais com os munícipes que necessitam de alguma informação” (trecho do documento).

Sob intervenção municipal há quase cinco anos, a Santa Casa, de acordo com o prefeito Thales Gabriel Fonseca (SD), enfrenta uma dívida de cerca de R$ 20 milhões.

Em nota oficial, a Prefeitura justificou que a unidade passa por um processo de implantação de um novo planejamento de gestão e o atendimento é realizado conforme a escala de classificação de risco, a qual a prioridade é dada conforme a gravidade do paciente. Divergindo do relatório do TCE, o Município afirmou que não há medicamentos vencidos nos estoques, apenas uma relação de registro do descarte.

O Executivo ressaltou que situações pontuais de conduta dos atendentes estão sendo corrigidas mediante treinamento continuo e a nova gestão tem promovido diversas melhorias na infraestrutura do prédio.

A nota enfatizou que “a direção do Hospital Santa Casa Cruzeiro, está trabalhando fortemente para proporcionar a população uma saúde de qualidade e resgatar a credibilidade da unidade após muitos anos de sucateamento e falta de gestão”.

A reportagem do Jornal Atos solicitou um posicionamento do TCE sobre quais providências judiciais serão tomadas após os resultados da fiscalização em Cruzeiro, mas nenhuma resposta foi encaminhada até o fechamento desta edição.

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