Após votação polêmica, Adriana Vieira acusa vereadores: “Mais uma atitude machista”

Parlamentar pediu para não fazer parte da mesa como primeira secretária, mas acabou eleita contra sua vontade; grupo nega perseguição contra mulheres na Câmara

A vereadora Adriana Ferreira, que questionou a motivação de votos mesmo após seu pedido ao colega de plenário (Foto: Marcelo A. dos Santos)

Thales Siqueira
Cachoeira Paulista

Enquanto Luiz Gonzaga Brejão (PSC), comemorava vitória na disputa pela presidência, na votação para primeiros secretários, o clima voltou a esquentar após a eleição de Adriana Ferreira (PTB). A vereadora chegou a anunciar que não queria ocupar o cargo, mas acabou eleita mesmo contra vontade.

Em uma votação de desempate, Adriana recebeu o voto de Dimas Barbosa (PSB), Nenê do São João (PSB), Max Barros (DEM), Carlinhos da Saúde (PL) e Brejão. “Pedi inclusive em tribuna para não votarem em mim (para o cargo de primeira secretária) por conta da minha indisponibilidade e eles fizeram sacanagem. Eles sabem do meu serviço público e minha impossibilidade de ocupar esse cargo na minha atual situação”, contou Adriana. “Mais uma atitude machista desse povo que nunca fez nada pela cidade e está incomodado com meu trabalho. Repúdio este ato de violência contra a mulher, onde o homem dita onde a mulher deve estar, qual cargo deve ocupar, suas ações sem respeitar a necessidade e a vida dela”, relatou a vereadora, que vai renunciar ao cargo.

Para a parlamentar, sua escolha faz parte de uma ação para desestabilizar a bancada feminina da Casa. “Foi uma sacanagem dessa velha política que só defende seus próprios interesses e deixou a cidade neste caos que está”, relatou Ferreira.

A vereadora juntamente com Rogéria, Ângela e Thálitha planejavam compor a mesa administrativa e fizeram uma pré-campanha pautada na força da mulher.

A reportagem do Jornal Atos procurou os vereadores acusados para questioná-los sobre a razão por terem votado na parlamentar, mesmo após o pedido para não ser eleita.

Nenê do São João garantiu que sua intenção era dividir a mesa entre homens e mulheres. “Eu votei nela porque a gente teve bom senso de colocar dois homens e duas mulheres para equilibrar a mesa administrativa. Em nenhum momento ela falou para mim que ela não tinha tempo. Eu não votei para afrontar ela, para prejudicar ela, apenas para equilibrar a mesa administrativa. 50% homens, 50% mulheres”

De acordo com Dimas Barbosa, ele não sabia da solicitação de Adriana. “Eu não tinha ciência desse pedido dela. Ela sempre foi a minha preferida para o cargo de primeira secretária. O segundo cargo mais importante da mesa diretora é a do primeiro secretário. Eu acreditava que teria que ser uma mulher para ocupar o cargo, e uma mulher com referência dentro do grupo das mulheres”, argumentou. “Para mim essa pessoa experiente e com histórico político familiar muito grande, seria a Adriana. Em nenhum momento ela pediu diretamente para mim para não ser votada”.

O vereador Max não respondeu à procura da reportagem.

Redução dos Salários – A fala de Adriana se baseia na situação de que os vereadores de Cachoeira Paulista têm se dividido entre a Legislatura e outras funções profissionais. O valor atual do subsídio seria um dos motivadores para a jornada dupla. De autoria do vereador Nenê do São João, foi aprovado, no ano passado, um projeto de redução salarial dos vereadores de R$ 4,4 mil para R$ 1,3 mil. A mudança é válida até 2024, quando se encerra o atual mandato.

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