Falta de repasse do Estado obriga Santa Casa de Aparecida a suspender parte dos atendimentos

Cirurgias e consultas eletivas podem deixar de ser disponibilizadas pelo SUS; UTI e atendimento psiquiátrico também correm o risco de fechar

Acesso ao PS da Santa Casa de Aparecida, que recebe suspendeu as cirurgias e consultas eletivas (Foto: Arquivo Atos)

Rafael Rodrigues
Aparecida

A crise na saúde da região ganhou novos contornos neste fim de semana, depois que a Santa Casa de Misericórdia de Aparecida suspendeu no último sábado todas as cirurgias e consultas eletivas realizadas na entidade pelo SUS (Sistema Único de Saúde). De acordo com o administrador do hospital, Frei Bartolomeu Schultz, o atendimento foi suspenso devido a falta de recursos para o custeio das operações.

Schultz explicou que a Santa Casa não tem mais condições de efetuar o pagamento dos médicos que realizam as cirurgias e as consultas preparatórias porque o Governo do Estado de São Paulo ainda não firmou o convênio de 2020, para o custeio dos salários. “A gente vem conversando com o Estado. Já existe a possibilidade de os convênios serem firmados para os próximos quatro anos, mas a demora é que tem nos deixado preocupado, porque o mês de janeiro já está terminando e até agora não conseguimos nenhum recurso”, afirmou.

O pagamento dos salários dos médicos para realização das consultas e das cirurgias eletivas são oriundos de convênio estadual. O governo disponibiliza R$ 135 mil mensais para custear os atendimentos.

Mensalmente, de acordo com os dados do hospital, são feitas 170 cirurgias eletivas e mais de 800 consultas preparatórias, que na falta dessa verba, estão suspensas.

Apesar de fechar as portas para esse tipo de atendimento, outros serviços continuam sendo prestados, principalmente referentes a urgência e emergência. Frei Bartolomeu Schultz esclareceu que as internações clínicas, a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e a ala de psiquiatria, funcionarão, mesmo sem a ajuda do Estado.

UTI – Outro repasse atrasado é referente à Unidade de Terapia Intensiva. Segundo o administrador da entidade, o custo médio da UTI adulto, com nove leitos, gira em torno de R$ 250 mil, e atualmente apenas no Ministério da Saúde contribui para a manutenção do atendimento.

A parte referente ao Estado, que gira em torno de R$ 100 mil, também está atrasada. “A UTI a gente vive uma situação ainda mais delicada, porque para fazer a suspensão, precisamos de noventa dias para formalização. Mas acreditamos que com a suspensão das cirurgias e consultas, o Governo possa se sensibilizar e liberar o quanto antes esses convênios”, destacou Schultz.

O PAI (Polo de Atendimento Integral), que atende dependentes químicos da região, também está funcionando sem a ajuda do Estado. Nesse caso específico, Frei Bartolomeu garantiu que mesmo sem os R$125 mil, os atendimentos serão mantidos por enquanto.

Em nota, a secretaria de Estado da Saúde informou que foram repassados em 2019 R$ 3,1 milhões em convênios com a Santa Casa de Aparecida. Sobre o exercício de 2020, a assessoria informou na nota que o convênio de R$ 3,6 milhões já foi publicado, e a pasta está orientando a entidade para finalização dos demais convênios previstos.

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