Demissão de médico da Unidade de Saúde do Bem Viver gera revolta em moradores

Profissional afirma estar sofrendo perseguição após crítica ao sistema de saúde; Prefeitura confirmou que novos médicos devem assumir a demanda na próxima semana

Dona Maria de Fátima, que faz tratamento para diabetes na UBS; unidade deve receber novos profissionais (Foto: Bruna Silva)

Bruna Silva
Pindamonhangaba

A recente demissão de um médico que atendia na UBS (Unidade Básica de Saúde) do Bem Viver gerou revolta aos moradores locais. Nesta segunda-feira (22), duas mobilizações aconteceram em frente à unidade pedindo o retorno do profissional.

Moradores do bairro relataram que a demissão repentina do médico Dr. Lucas Azevedo, pegou a todos de surpresa, pois na última sexta-feira (19), o médico atendeu normalmente. “Agora, quem vai analisar meus exames?”, questionou Maria de Fátima Pedro, de 60 anos, que faz tratamento para diabetes.

Dr. Lucas atendia no Bem Viver desde a implantação do complexo habitacional, há cerca de três anos. Indignados com a ausência do médico, os moradores organizaram abaixo assinado que colheu aproximadamente mil assinaturas até o fechamento desta matéria. A intenção é de pressionar o Município para que Azevedo volte a atender a população. “Nós não queremos outro médico aqui. Queremos o doutor Lucas de volta”, pediu outra moradora.

O profissional explicou que tem tido problemas com a liberação de medicamentos aos pacientes há cerca de quatro meses. A situação seria de desgaste com a secretaria de Saúde. Segundo ele, o apontamento é que suas receitas médicas estariam erradas, mas o médico não havia recebido justificativa de qual ponto estaria inadequado.

Uma análise das receitas, feita pela secretaria de Saúde, foi proposta. Atuante na rede municipal de saúde há seis anos, Azevedo destacou que “a população não pode ficar sem medicamento (…) Minha população é carente, não tem dinheiro para voltar à farmácia (que fica na região central)”.

Para o médico, a demissão é o resultado de uma perseguição que vem de uma série de questionamentos à pasta. Mas, se houver a possibilidade de retorno ao posto de trabalho, ele voltará imediatamente.

Por meio de nota, a Prefeitura ressaltou que, nas últimas semanas, “passaram a ocorrer problemas de ordem administrativa com a secretaria de Saúde”. Foram realizadas ao menos duas reuniões com objetivo de resolver o impasse. Ainda de acordo com o Município, como não houve entendimento para uma situação adequada, o profissional teve seu contrato encerrado.

Para evitar prejuízos à população, a partir da próxima segunda-feira (1), um novo clínico geral e um ginecologista devem passar a atender na unidade. A expectativa é que sejam priorizados profissionais que passaram no concurso público. Ao longo desta semana, procedimentos de enfermagem continuarão sendo realizados regularmente e, em casos graves ou que precisem de análise médica, a orientação é que o atendimento seja buscado na UPA Araretama (Unidade de Pronto Atendimento).

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