Atos e Fatos

“Não há soluções políticas para problemas econômicos”. Joelmir Betting

Avaliações sobre o PIB e suas interferências na economia do governo Bolsonaro (Reprodução EBC)

VOO DE GALINHA

O voo de galinha é uma expressão criada pelos analistas econômicos quando o PIB (Produto Interno Bruto) não se sustenta elevado por longo tempo.

Muitos voos de galinha foram observados no país.

No Plano de Metas, nos anos 50; durante o Milagre Econômico, o que na verdade foi mais um longo voo do que um salto para a sustentação da economia nos anos da ditadura.

Por que a economia brasileira não apresenta mais resultados positivos? ou, resultados positivos, que se sustentem por 10, 20, 30 anos?

A extensão territorial, o grande mercado interno, atividades econômicas importantes como: a extração de recursos naturais, abundância de energia, o agronegócio, sugere que estas quedas são desarranjos da economia e passageiras.

De fato, vencemos em alguns anos a queda do voo da galinha com o aumento dos impostos, ou com políticas de investimento privilegiando alguns setores da economia. A inflação era sempre derrubada com o aumento da taxa de juros. Este “milagre” a economia não faz mais com o déficit fiscal herdado por este governo. O desemprego, estruturas econômicas de privilégios e privilegiados, programas sociais assistencialistas e vai por ai.

A partir da década de 1970 os economistas, com os erros do passado, se dedicaram de forma profunda na macroeconomia, deixando o mercado interno fluir com as suas próprias regras.

Atualmente os estudos econômicos, obras publicadas, experimentos de sucesso, e a nossa própria experiência, elaborados em países asiáticos emergentes, aprendeu-se muito e sabe-se quais as variáveis que levam um país a um crescimento sustentável.

A primeira variável é o capital físico, mais precisamente terra e capital. O uso da terra estamos sabendo como usufruí-la com o desenvolvimento de tecnologias, o avanço da biotecnologia, a alta produtividade.

Quanto ao capital um problema. A baixa quantidade de investimento em bens de produção, tecnologia, e um problema crônico de baixa poupança nacional e a dependência do capital estrangeiro, leia-se, de alto custo. Falta inovação e investimento em todos os sentidos.

Outra variável necessária para o crescimento é a produtividade. Nenhum país do mundo se sustentou somente com o aumento da quantidade da mão de obra.

Atualmente, para o país crescer é preciso aumentar a capacidade de produção do trabalhador, ou seja, aumentar a sua produtividade, ou, ainda, produzir mais com os mesmos recursos.

Parece simples, mas envolve ter pesquisa e desenvolvimento científico, assim como melhorar o capital humano através da educação e o treinamento.

E para isso não basta colocar as crianças nas escolas é preciso ter a certeza que o aprendizado seja realmente eficiente.

Por último, o país precisar manter instituições que propiciem o crescimento garantindo o direito de propriedade, a segurança jurídica, o respeito aos contratos firmados, estabilidade política, combate a corrupção, a facilitação para a abertura de negócios no país, menos burocracia e a reforma tributária.

É necessária a manutenção de todo um ambiente propício ao investimento, ao crescimento, ao trabalho produtivo.

Se a receita para a prosperidade é conhecida, testada, então por que o Brasil continua com seus voos de galinha?

A receita é conhecida, mas o crescimento econômico é um processo de reformas que esbarra em grupos de interesse, corporações, sindicatos, que terão que renunciar a seus privilégios e benefícios.

A reforma da previdência foi um modelo desta confrontação em que é necessário fazer para o país crescer.

O ano de 2020 deveria ter o mesmo ritmo para a aprovação das reformas, como a tributária, essencial para o crescimento do país, mas as incertezas políticas, falta de líderes e o próprio presidente não se mostra propicio a enviar a sua reforma para a avaliação do parlamento. O que se trata de uma perda de oportunidade já que estas reformas estão discutidas há muitos anos. O presidente está mais preocupado com a formação do seu partido.

Em um ano legislativo curto (Carnaval final de fevereiro e eleições municipais) o país poderá iniciar o seu voo em 2020, com um crescimento de 2,5% do PIB, para em 2021 a galinha estatelar no terreiro e as reformas continuarem a ser discutidas.

Voo de galinha ou de águia?

 

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