Trabalho reforçado para atendimento especial a alunos com surdez profunda em Ubatuba

Intérpretes de linguagem de sinais adaptam ambiente escolar; funcionários recebem aulas de libras

A professora Rayane Batista posa ao lado do pequeno Wellington de Souza, assistido por programa (Foto: Reprodução)
A professora Rayane Batista posa ao lado do pequeno Wellington de Souza, assistido por programa (Foto: Reprodução)

Lucas Barbosa
Ubatuba

Para tornar o ambiente escolar mais inclusivo aos alunos que sofrem de surdez profunda em Ubatuba, a Prefeitura reforçou neste início de ano a equipe de intérpretes de libras da rede municipal de ensino. Além dos professores e demais funcionários das escolas, o município oferece gratuitamente cursos de linguagens de sinais para estudantes e seus familiares.

De acordo com a seção de Educação Especial de Ubatuba, dos quase 12 mil alunos atendidos pela rede municipal, nove possuem graves problemas de audição.

A secretaria de Educação contratou no início do ano três intérpretes de libras aprovados em um concurso público realizado em 2014. Com o reforço, cinco profissionais ensinam a linguagem de sinais e realizam o acompanhamento pedagógico dos estudantes portadores de necessidades especiais.
Um dos alunos beneficiados é o jovem Wellington de Souza, de 11 anos, que estuda no colégio municipal Sebastiana Luiza de Oliveira Prado, localizado no bairro Araribá. Vítima de uma paralisia cerebral ao nascer, Wellington teve como sequela a perda total da audição. Mesmo após viver sete anos em São Paulo, onde teve aulas de libras na escola, a criança ingressou na rede de ensino de Ubatuba sem conseguir se comunicar. Além de não dominar a linguagem de sinais, Wellington também não possuía conhecimentos básicos de espaço e tempo, não sabendo sequer a contagem dos dias, meses ou anos.

Mas a vida do aluno mudou no início de 2019, quando uma das novas intérpretes contratadas pela Prefeitura, Rayane Batista Cruz, 24 anos, começou a acompanha-lo no colégio. Além de ensinar a linguagem de sinais ao estudante, a pedagoga pós-graduada em Libras, contando com o apoio da chefe da seção de Educação Especial, Maria de Lourdes Teixeira, realizou uma série ações para promover a inclusão de Wellington, como a colocação de sinais de libras no alfabeto exposto na sala e o oferecimento de aulas de linguagem de sinais aos funcionários da escola. “Antes ele não conseguia manter um diálogo com quem estava ao seu redor na sala de aula, mas agora isso mudou, já que ele interage com os colegas e a professora. Além de melhorar o seu desempenho escolar e fazer novas amizades, a comunicação o possibilitou até mesmo ajudar os colegas na resolução de exercícios, principalmente de matemática”, comemorou Rayane.

Para a mãe de Wellington, Rosana Souza, 33 anos, o acompanhamento desenvolvido na escola Sebastiana Luiza foi um divisor de águas na vida do filho. “Ele evoluiu muito graças a este trabalho da Rayane. Estamos muito emocionados de ver que ele está interagindo bem com os colegas e até mesmo os ajudando na sala de aula. Ficamos muito felizes de ter um atendimento tão bom aqui em Ubatuba”.

Além da escola de Wellington, a secretaria de Educação realizou melhorias nos métodos de integração aos alunos com surdez profunda nas escolas municipais “José Belarmino Sobrinho”, “Presidente Tancredo de Almeida Neves”, “Olga Gil” e “Maria Josefina Giglio da Silva”. “Para que estas crianças continuem se desenvolvendo é necessário que as pessoas ao entorno também tenham um conhecimento básico da linguagem de sinais. Por isso oferecemos gratuitamente aulas de libras para os educadores, funcionários dos colégios e até mesmo pai de alunos. É nítida a evolução destes estudantes especiais”, concluiu Maria de Lourde

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