Dívidas, abandonos e até documentos queimados: heranças em Silveiras

Sem dinheiro, novo governo ainda contabiliza prejuízo após gestão de Edson Mota e Valdirene Quintanilha para recuperar bens públicos; novo prefeito pede investigação de irregularidades

Restos de documentos da gestão anterior encontrados em latão nos fundos da garagem municipal; Prefeitura vai pedir investigação no MP (Francisco Assis)
Documentos da gestão anterior encontrados em latão nos fundos da garagem municipal; Prefeitura quer investigação no MP (Francisco Assis)

Francisco Assis
Lucas Barbosa
Silveiras

Virou regra na região o cenário caótico encontrado pelos novos prefeitos que assumiram os cargos no último dia 1. Dívidas, processos e contratos acumulados, reclamações e denúncias. Cada um destes itens podem estampar reportagens sobre o início dos mandatos de quem vai governar até 2020. Mas em Silveiras a situação é de abandono, com veículos sucateados, contratações irregulares, pendências e até mesmo o flagrante de queima de documentos da Prefeitura.

Essa foi a cena encontrada pelo prefeito Guilherme Carvalho (PSDB), eleito com 2.891 votos (67,4%). Ele ocupa o cargo que foi de Valdirene Quintanilha (PTB) nos últimos nove meses. Valdirene assumiu em março, quando seu marido, Edson Mota (PR), deixou a Prefeitura para se candidatar em Cachoeira Paulista, onde venceu a eleição e assumiu o Executivo.

Do casal de prefeitos antecessores, Carvalho herdou uma sequência de irregularidades. Sem conseguir realizar o governo de transição, o novo prefeito não conseguiu ainda estipular o real tamanho do problema, devido à falta de documentação. “Não tive abertura para a transição. Enviamos um ofício para a prefeita, mas ela não respondeu. Só no dia 22 (de dezembro) que ela disse que podia fazer a transição, mas ai já não interessava para a gente porque estava muito tarde”, contou Carvalho. “Assumimos aqui em estado de abandono. Não tem nem enxada ou carrinho de mão para trabalhar. Os carros estão todos sucateados, com multas e documentos atrasados, e por ser CNPJ, a multa não passa para o infrator e acaba dobrando o valor”.

Um dos vários carros da Prefeitura deixados em estado de abandono (Lucas Barbosa)
Um dos vários carros da Prefeitura deixados em estado de abandono (Lucas Barbosa)

Com R$ 3 milhões de dívidas somente de precatórios e apenas R$ 33 em caixa, o novo governo avalia o montante total em pendência com fornecedores, contas de água e energia elétrica atrasadas, além de salários e direitos trabalhistas de funcionários. Segundo o prefeito, há casos até mesmo de funcionários em vários setores que estariam trabalhando fora de registro, com salários de até R$ 350.

Para este ano, a previsão ainda é de queda, com orçamento 4% menor que os R$24 milhões de 2016. Mesmo com a baixa, o novo governo tem a missão de recuperar a estrutura precária deixada pela antecessora, como a frota municipal sucateada, quadras de esporte abandonadas e sem água e luz, além da falta de medicamentos nos postos. “Descobrimos o caso de uma moça de trinta anos, do bairro dos Macacos, que está com câncer, e no ano passado tinha que pagar a gasolina, o motorista e o almoço do motorista para poder ir para o hospital de Barretos. Ela já foi hoje (quarta-feira), na única ambulância que está funcionando, para lá, e como de direito, não vai pagar nada”, contou o prefeito.

A reportagem do Jornal Atos teve acesso à garagem municipal, onde encontrou carros oficiais, ônibus, veículos da saúde e caminhões parados, com a maior parte já em estado deteriorado. “Muitos deles vão ter que passar por reforma e troca de motor, porque na condição em que foram deixados, não tem como serem utilizados. Hoje só temos um carro, um ou dois ônibus, e mesmo assim em más condições”, protestou Carvalho.

Ainda na garagem, outra situação chamou atenção. Dois latões, atrás do banheiro público municipal (também em péssimas condições), foram encontrados com documentos queimados. Em alguns deles ainda era possível identificar nomes, valores, destinos e tipos de operação.

A documentação encontrada fez parte do material enviado ao Ministério Público, com pedido de investigação, além da sindicância interna, após os apontamentos das irregularidades. Ex-presidente da Câmara, o atual prefeito destacou que por diversas vezes, denúncias contra Edson Mota ou Valdirene foram encaminhadas ao MP e também à Câmara, mas nenhuma comissão de investigação foi aberta no Legislativo.

Outro lado – A reportagem do Jornal Atos tentou nos últimos dias entrar em contato com a ex-prefeita de Silveiras, Valdirene Quintanilha, mas até o fechamento desta edição ela não foi localizada para comentar as denúncias. Além de solicitar um posicionamento da atual primeira-dama de Cachoeira Paulista pelo e-mail oficial da Prefeitura, a reportagem tentou um contato telefônico, mas foi informada pela atendente que não conseguiu localizar o setor de Comunicação.

Após a ligação ser transferida para a secretaria de Assistência Social de Cachoeira, que será comandada por Valdirene, a reportagem foi informada que ela ainda não estava trabalhando na pasta, e que não era possível localizá-la.

Um comentário em “Dívidas, abandonos e até documentos queimados: heranças em Silveiras

  • 7 de janeiro de 2017 em 19:41
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    E a câmara onde estava este tempo todo!!!!

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