Grávidas protestam após dispensa sem atendimento na Santa Casa de Pinda

Médico de plantão garante que todos os leitos estavam ocupados e não poderia fazer mais internações

A Santa Casa de Pinda, alvo de reclamações de gestantes liberadas sem atendimento; entidade garante que seguiu procedimento (Foto: Bruna Silva)

Bruna Silva
Pindamonhangaba

A Santa Casa de Misericórdia em Pindamonhangaba é apontada como referência no atendimento para grávidas na RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte), nos últimos anos, mas não é isso que tem acontecido. Devido à lotação dos leitos disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde), no início desse mês várias pacientes foram dispensadas e ficaram sem as cesáreas agendadas para o último dia 6.

Dezenas de postagens nas redes sociais expressavam a indignação de gestantes e familiares que não conseguiram o atendimento. É o que explicou a moradora do bairro Beta, Greiciane Ribeiro dos Santos, 21, que esteve na unidade de saúde no dia em que várias mulheres foram dispensadas. A jovem procurou o atendimento na Santa Casa, conforme a recomendação da médica que acompanhou a sua gestação. “Cheguei lá de manhã pra (sic) internar, e tinham mais mulheres que estavam com a cesárea agendada para aquele dia”, contou.

Greiciane relatou que o médico plantonista no dia 6 a examinou e apontou que ela estava já com um dedo de dilatação. “Eu estava com muita dor embaixo da barriga e falta de ar, às vezes minha coluna travava, e ele dizia que dava pra (sic) aguentar e que não tinha emergência naquela hora”. Mesmo com o início da dilatação, a gestante foi encaminhada para casa como as outras grávidas que estavam com partos agendados. De acordo com Greiciane, o médico afirmou que não poderia interná-la porque todos os 36 leitos que o SUS dispõe na unidade já estavam ocupados. ‘Tinha uma moça lá que era de Taubaté. Ela já estava com 42 semanas, com excesso de líquido na barriga. Ele (médico) não queria internar ela, só internaram porque o marido dela brigou com o pessoal”, lembrou.

A moradora disse que viu uma gestante chegar ao hospital já com a bolsa rompida e ter de esperar a liberação de leito no corredor da maternidade. A jovem avaliou esse fato como um descaso, pois segundo ela, os médicos e alguns funcionários não davam informações concretas sobre o que estava acontecendo e não as tratavam com educação. “Ele (médico) disse que estava cansado de trabalhar “virado” e já vinha de dois plantões, e ninguém entendia”, salientou.

Somente na segunda-feira (9), após 15 horas de trabalho parto e durante a madrugada, Greiciane deu à luz a uma menina em um parto cesárea, e não natural, como havia tentado ao longo do dia.

Em nota, a secretaria de Saúde de Pindamonhangaba destacou que obedece as normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde e que os partos devem priorizar o procedimento natural, e só em casos necessários o ato cirúrgico (cesárea) será realizado. “Este caso específico foi mais um onde a paciente procurou o serviço de saúde e foi atendida e orientada. Ao retornar à unidade, foi atendida e iniciado trabalho de parto. Após constatarem a dificuldade para a continuação do procedimento natural, foi realizado o procedimento cirúrgico (trecho da nota)”.

A reportagem do Jornal Atos tentou contato com a secretária de Saúde, Valéria dos Santos, mas ela não respondeu até o fechamento desta edição.

 

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