Ex-funcionários da Nobrecel cobram dívidas trabalhistas na Câmara

Seiscentos trabalhadores aguardam pagamento de direitos há mais de quatro anos; empresa faliu em 2013

Ex-funcionários da Nobrecel durante um dos vários protestos pelos direitos trabalhistas pela fábrica desativada (Foto: Divulgação)
Ex-funcionários da Nobrecel durante um dos vários protestos pelos direitos trabalhistas pela fábrica desativada (Foto: Divulgação)

Lucas Barbosa
Pindamonhangaba

Além de pedirem apoio parlamentar, ex-funcionários da empresa Nobrecel utilizaram, na última semana, a tribuna livre da Câmara de Pindamonhangaba para protestarem contra a demora no pagamento das verbas rescisórias e outros direitos trabalhistas. Há mais de quatro anos, cerca de seiscentos trabalhadores aguardam a quitação das pendências.

Em 2013, a Nobrecel, produtora de celulose e papel, decretou falência. No fim do ano seguinte, a fabricante retomou suas atividades através do formato de cooperativa, porém acabou fechando suas portas definitivamente no primeiro semestre de 2015, deixando seus ex-colaboradores sem o pagamento das rescisões trabalhistas. Na sequência, o patrimônio e as dívidas passaram a serem geridas por uma administradora, que acabou destituída, neste ano, por não ter cumprido a função da forma que foi orientada pela Justiça.

Cobrando informações sobre o processo judicial e o pagamento das dívidas, cerca de cem ex-funcionários participaram de uma passeata, iniciada no bairro do Socorro, até a porta do Fórum em agosto.

Já na última segunda-feira, um grupo de trabalhadores acompanhou a sessão de Câmara. Na tribuna livre, o ex-supervisor de produção da Nobrecel, Marcello França, descreveu a revolta dos ex-funcionários diante o impasse. “Tem funcionário que sonha com uma solução, e vai todos os dias na porta da fábrica em busca de alguma novidade. Também tem gente que não conseguiu se recolocar no mercado de trabalho pela idade, já que deu vinte ou trinta anos de suas vidas para a Nobrecel”.

França destacou ainda a importância do apoio da Câmara para a busca do pagamento das pendências. “O presidente Magrão (PR), foi muito solícito e nos deu a chance de relatarmos este impasse que está prejudicando centenas de famílias. A ajuda dos vereadores é fundamental para conseguirmos avançar em busca de uma solução”.

Após a Justiça destituir a primeira administradora da massa falida da Nobrecel, em julho, o empresário Fernando José Ramos assumiu a função. Ele não foi localizado pela reportagem do Jornal Atos para comentar o caso.

O processo judicial tramita pela 3ª Vara Civil de Pindamonhangaba, porém não existe a previsão da data em que serão agendadas as audiências entre os ex-funcionários da Nobrecel e a nova gestão da massa falida.

 

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