Voluntários buscam apoio para reativar Esporte Clube Hepacaré, 44 anos após a última temporada

Grupo trabalha por apoio para adquirir nova sede e sonha com retorno aos campos; antigo prédio foi leiloado em 2012

Time de 1941, que entrou em campo contra o Fluminense, em Lorena (Foto: Reprodução)
Time de 1941, que entrou em campo contra o Fluminense, em Lorena (Foto: Reprodução)

Lucas Barbosa
Lorena

Para resgatar a tradição e dar vida nova ao principal time de futebol profissional da história de Lorena, um grupo de voluntários se reuniu para tentar reativar o Esporte Clube Hepacaré. Além de formar uma equipe para a disputa de campeonatos, a comissão técnica busca apoio para viabilizar a compra de um terreno para a construção da nova sede social da agremiação.

Fundado em 1914, o Hepacaré chegou a disputar, entre 1956 e 1973, duas vezes a segunda divisão do Campeonato Paulista, e dez edições da terceira divisão do estadual. A partir de 1974, o time passou a participar somente de competições amadoras.
Na década de 1940, o “Índio”, como o clube era conhecido, teve em seu elenco o atacante João do Nascimento, o Dondinho, pai de Pelé.
Os jogos ocorriam no antigo Estádio General Affonseca, à rua Conselheiro Rodrigues Alves, na região central do município. Colada ao estádio, ficava a sede social da agremiação, de portas para a rua Coronel José Vicente, na Vila Hepacaré.

Além de um parque aquático, a sede do clube possuía um amplo salão de festas, que a partir do início da década de 1990 passou a receber os tradicionais bailes funk.

Em 1993, uma tentativa de reativar o futebol profissional caiu por terra. Naquele ano, uma série de amistosos contra equipes do interior, como o Paulista de Jundiaí e equipes de categoria de base de grandes clubes como Santos e Palmeiras passaram pelo “General Affonseca”.

Após más gestões administrativas e graves problemas financeiros, o Hepacaré começou a entrar em declínio a partir de 1996. Nos anos seguintes, a situação se agravou ainda mais após ex-funcionários moverem 51 processos, cobrando o pagamento de seus direitos trabalhistas, totalizando um montante de mais de R$ 500 mil. Faltando apenas três anos para o seu centenário, o clube faliu em 2011.
Já em outubro de 2012 a sede do Hepacaré foi leiloada, por R$ 5,3 milhões, após ordem judicial. Adquirida por um grupo de empresário de Cruzeiro, a área abriga, desde setembro de 2017, o Supermercado Nagumo.

Buscando escrever um novo capítulo na história agremiação, desde 2015 um grupo de 45 moradores se dedica ao resgate do Hepacaré. Além da formação de um time de veteranos (acima de 60 anos), que conta com 25 atletas, o grupo trabalha para conquistar um “novo lar” para o Hepacaré. “Estamos analisando os valores de diversos terrenos que possuem potencial para abrigar a nova sede do clube. Também estamos buscando apoio do poder público e do setor privado para arrecadar recursos para a aquisição desta área”, revelou o coordenador do grupo Hepacaré, Adailton José Pinto.

O coordenador revelou ainda o sentimento de fazer parte deste projeto. “É motivo de muita alegria tentar contribuir para a retomada do Hepacaré, que foi e é tão amado pela população de Lorena. Sabemos que este projeto é difícil e audacioso, mas faremos o possível para unir forças para que esse sonho torne-se realidade o mais breve possível”.

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