Olaria aguarda nova diretoria para reerguer história do Joana D’Arc

Clube tem mais de R$ 200 mil em dívidas; Prefeitura promete atenção ao espaço com Fadenp

Francisco Assis
Rafaela Lourenço
Lorena

O tradicional Joana D’Arc Esporte Clube enfrenta novos capítulos para a restauração do esporte e da credibilidade em Lorena. Após seis meses de administração interina e a descoberta de aproximadamente R$ 210 mil de dívidas, o clube deve ter uma nova presidência ainda este mês. A eleição será realizada neste domingo.

São 67 anos de história na cidade. Campeonatos, amistosos, grandes nomes do esporte, craques amadores e projetos sociais passaram pelo campo do bairro do Olaria, que atualmente tenta reerguer a tradição, envolver as famílias locais e mudar o futuro de jovens da comunidade.

Troféus que marcaram a história do clube são preservados pelos membros do Cabo (Foto: Francisco Assis)

No próximo dia 22 uma eleição será realizada para compor a nova diretoria executiva, conselho deliberativo e conselho fiscal. Os interessados tiveram até o último sábado (14) para apresentarem as chapas com documentação completa dos membros contendo nome, RG, CPF, endereço, profissão, estado civil e local de nascimento.

De acordo com o estatuto social do clube, o mandato tem duração de três anos e a posse será realizada na primeira quinzena de janeiro. Localizado ao bairro Olaria, o Joana D’Arc segue desde julho com a administração provisória de José Carlos da Silva, após decisão judicial impetrada pelo Cabo (Comitê Amigos do Bairro Olaria) para retirar o poder da diretoria anterior composta pelo empresário e vereador Adevaldir Ramos (PRB) e seu filho, o também empresário e ex-vereador, Fabrício Ramos, sob acusações de abandono e desrespeito ao estatuto.

Após assumir a administração com a ajuda de voluntários e a contribuição mensal de R$20 dos 34 atuais membros do Cabo, Silva, mesmo com dificuldades financeiras, reativou o clube para a utilização das famílias e amantes do esporte.

Segundo o morador do bairro e voluntário Ildebrando Rodrigues da Silva, que mora no Olaria há cerca de 72 anos, eles encontraram o espaço abandonado com mato alto, animais, salão interditado e construções como a de uma piscina nos padrões residenciais, sem condições de uso. “Primeira coisa que vi foi um pasto com três cavalos e cheio de cachorro. A piscina, a gente pegou carcaça, os motores levaram tudo, só tinha os canos. Não existe projeto, foi construída como se faz no quintal da sua casa. Dá até tristeza, vontade de chorar, porque o ambiente familiar que era e encontramos assim”, lamentou.

Entre problemas estruturais e a falta de documentação, Silva se deparou com a finalidade e endereço do espaço alterados na Prefeitura e dívidas de R$ 200 mil de IPTU (Imposto predial Territorial Urbano) e R$ 11 mil de contas de água. “Ele (ex-presidente) mudou o endereço do Joana D’Arc. Aqui é Nesrala Rubez e se você for na Prefeitura, está avenida São Pedro, nº 270, que é em frente à igreja. Fui até à Prefeitura tentar tirar alvará e não consegui por causa do endereço”.

A piscina que passa por análise para uso como caixa d’água; espaço segue interditado (Foto: Francisco Assis)

Silva explicou também que algumas dívidas de impostos prescreverão devido ao tempo de atraso, e outras estão sendo parceladas e pagas em dia através da contribuição mensal do comitê e das arrecadações do recreativo veterano, que voltou a ser realizado.

Uma piscina, que estava sendo construída ao lado do campo, segue interditada aguardando o laudo de um engenheiro para saber se poderão utilizá-la como caixa d’água ou demoli-la para reativar o espaço com playground para as crianças e ambiente para acompanhar os jogos no campo. “Na última gestão alteraram a finalidade essencial que é esportiva. Queriam fazer um salão de festas, como um danceteria, algumas especificações que têm lá e está sendo difícil pra gente voltar ao normal. Aqui é, para além do futebol, termos aula de dança, capoeira, bingo, mesas de bilhar e montar uma pista de bocha”, frisou.

Além do recreativo aos sábados com a participação de oito equipes de Lorena e Guaratinguetá, o clube oferece há quatro meses uma escolinha de futebol com o professor Sérgio Grillo, o projeto “Bom de bola, cabeça na escola”. Os treinos são realizados as terças-feiras, das 9h às 11h, e quartas-feiras, das 15h às 17h. “Atualmente contamos com cerca de trinta garotos, de 7 a 15 anos. E gratificante, o futebol faz parte da nossa história, da nossa raiz. É amor e faz parte da nossa cultura”, destacou Grilo.

A aposta de tirar meninos das ruas com o projeto social tem surtido efeito e incentivado sonhos, como o do Pedro Henrique de Lima, de 14 anos, que treina há um mês no Joana D・fÁrc e sonha em jogar no Corinthians e numa Copa do Mundo. “Não treinava em nenhum lugar, jogava na escola e na rua. Estou gostando muito do treino aqui, muito legal o que eles estão fazendo por nós, sai um pouco da rua”. Centroavante, o menino é fã de Cristiano Ronaldo, que representa o sonho de vários garotos de serem jogadores de futebol profissional.

Agora, a diretora busca apoio da Prefeitura, através do Fadenp (Fundo de Apoio ao Desporto não Profissional) para aumentar e qualificar as atrações do clube.

Treino da escolinha de futebol retomada com a atual administração; Clube projeta novas atividades (Foto: Francisco Assis)

Segundo a secretária de Esportes e Lazer, Vera Silva, o espaço é reconhecido como utilidade pública desde 1969, e é necessária a regularização da diretoria executiva para firmar convênios com a Prefeitura. “Penso muito numa escolinha lá e formarmos um novo núcleo de futebol no município, passar com o campeonato municipal por lá e pensar no amador para o ano que vem”.

Vera Silva destacou que a secretaria tem interesse de investir em outras modalidades como o caratê, que é oferecido no centro de evangelização da igreja São Pedro. “O pessoal é muito do bem, estão com boa vontade e ótimas ideias muito boas. Assim que eles se organizarem, o poder público poderá atuar mais junto com eles”.

Além da manutenção do campo e vestiários, os voluntários precisam de aproximadamente R$ 20 mil para reformar o salão social, com instalação de piso, nova pintura e toda a estrutura da quadra de futsal para reativá-la com segurança.

Os interessados em apoiar o trabalho de reestruturação do clube e de toda uma história de amor ao esporte podem se associar ao Cabo e contribuir com R$ 20 mensais.

 

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