Ataque de Elcinho contra mulher gera revolta

Vereador acusa advogada de “ir para o motel” e vira alvo de processo; vítima questiona omissão na Câmara

O vereador Elcinho durante entrevista no Atos no Rádio, em 2019; parlamentar ofendeu moradora de Lorena na tribuna (Foto: Arquivo Atos)

Rafaela Lourenço
Lorena

Após receber ataques verbais na tribuna, uma advogada de Lorena solicitou a abertura de um processo disciplinar contra o vereador Elcio Vieira Junior, o Elcinho (PSB). O parlamentar é acusado por difamar a moradora da cidade atrelando seu nome a relações íntimas com o prefeito Fábio Marcondes (sem partido).

Além de protocolar o requerimento na Câmara, a advogada de 30 anos registrou um boletim de ocorrência e uma representação na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), já que o parlamentar também é advogado.

Os ataques à Thalita Moreno, casada, aconteceram na sessão da última segunda-feira. Durante a fala de Elcinho, que contava sua versão de uma visita à empresa RSM Engenharia, na manhã do mesmo dia, acompanhado dos vereadores Fábio Longuinho (PSD) e Waldemilson da Silva, o Tão (PL) para investigar possíveis irregularidades no contrato ou prestação de serviços para o município, Vieira citou que o empresário o impediu de entregar documentos solicitados por Longuinho e que os maltratou. “Disse que vereador não pode fiscalizar empresa que não era competência fiscalizar o serviço dele”.

Na sequência, Elcinho se voltou para Thalita, advogada da empresa, afirmando que a jovem seria uma namorada do prefeito, “colocada na empresa” por ele (prefeito) para esconder o relacionamento e para pagar o serviço prestado. “Longuinho pediu o pagamento dos direitos trabalhistas da empresa e o dono disse que o vereador não tem que fiscalizar só o prefeito. Eu sei que você é mandada do prefeito, entendo as suas razões de coração, mas não podemos e não vamos nos calar das suas ameaças. Acho que você não conhece os vereadores que estão aqui. Quanto mais você ameaçar mais nós vamos investigar. Você pode falar o que você quiser, pode fazer o que você faz com o prefeito. A hora que você quiser, você vai para o motel, pra onde você quiser, até no gabinete lá o que você faz com o prefeito, eu to (sic) me lixando”, atacou Elcinho.

A mulher, que teve o nome exposto com suposições de baixo nível, acompanhava a sessão pelas redes sociais com o esposo. O casal decidiu ir até a Câmara para, de alguma forma, defender a sua honra. Em entrevista ao Jornal Atos, Thalita, que ressaltou não ter nenhuma ligação com a administração pública ou com o prefeito e sim prestar consultoria jurídica a várias empresas da iniciativa privada, contou que houve uma discussão com um funcionário da Casa. Inicialmente, eles foram impedidos de acessar o prédio devido às medidas de prevenção ao novo coronavírus e que alguns vereadores e assessores participaram da confusão que resultou na suspensão da sessão por minutos. “Quando o vereador fala da mulher dele (esposo), está ofendendo meu marido, meus pais, meus amigos e até os meus clientes, que confiam os problemas deles pra mim. Ele é muito corajoso para falar na tribuna, mas cara a cara ele ficou parado ali”, salientou.

Para Thalita, além da ofensa pública, o vereador cometeu crimes que se depender dela não passarão impunes. “Quebra de decoro, isso é o de menos. Ele (Elcinho) utiliza o espaço público, da função pública para cometer crimes. Isso não podemos aceitar pacificamente”, frisou a advogada, que ainda questionou o interesse público de um vereador atacar a honra e imputar um falso crime a um morador. “Lorena está muito melhor porque o Elcio subiu na tribuna e me ofendeu, caluniou? Ele, na verdade, cometeu vários crimes contra honra e o que melhorou para Lorena fazendo essa exposição criminosa?”

A vítima não escondeu sua indignação por nenhum dos outros vereadores presentes na sessão ter repreendido as falas de Elcinho ou após a retomada da sessão, ter a defendido como mulher, moradora, eleitora. “Não teve um vereador pra entender que o mercado de trabalho da mulher já é muito difícil, que qualquer conquista que a gente tenha é associada à prostituição. Se você sobe um degrau é porque conhece fulano ou saiu com cicrano. Já é muito difícil e não teve um para defender essa pessoa que é munícipe, contribui para Lorena e não tem nenhuma ligação com a administração pública”.

Amigos se solidarizaram à advogada, comentando na transmissão ao vivo da sessão na rede social Facebook. Ao defender a advogada, eles teriam recebido mensagens do perfil do vereador acusado. Os prints foram capturados e publicados nas redes sociais. Já a rotina do casal passou por mudanças após o ocorrido. Diariamente recebem mensagens e ligações de amigos e familiares temendo que algo aconteça com Thalita. “Está tirando a paz deles. Esse é o sentimento que não quero que as pessoas tenham, que não tenham medo de combater uma coisa dessa e sofrer algum tipo de repressão por isso. Isso é um absurdo”.

Pauta – Quanto à empresa, o setor jurídico negou que tenha havido resistência de informar os vereadores presentes na fiscalização “in loco” e que eles não quiseram esperar pela chegada da advogada para colher qualquer informação necessária, já que o proprietário estava ausente.

A empresa destacou que em nenhum momento foi notificada sobre a fiscalização, pedido de documentos e até mesmo sobre a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) como citado por Elcinho. “Por que esses vereadores estão com tanta preocupação em deteriorar a imagem desta empresa? A fiscalização e o trabalho administrativo é de praxe, mas esse reboliço todo é muito estranho”, questionou a advogada, que solicitou formalmente vistas e cópias da CPI na última quinta-feira.

 

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