Após vazamento de áudio, PM Souza pode ser cassado pela Câmara de Lorena

Postagem na internet mostra vereador acusando colegas de plenário em meio a palavrões; citado nas gravações, Luiz Fernando promete contra-atacar com processo na próxima sessão

PM Souza (sentado) acompanha Luiz Fernando (à direita na tribuna); ataques levam a processo na Câmara  (Francisco Assis)
PM Souza (sentado) acompanha Luiz Fernando (à direita na tribuna); ataques levam a processo na Câmara (Foto: Francisco Assis)

Da Redação
Lorena

O tom ameno das discussões na sessão de Câmara de Lorena, durante a última segunda-feira, não foi o mesmo mantido nas redes sociais. Um vídeo contendo um áudio de uma conversa do vereador Rosiney Cesar de Souza, o PM Souza (PPS), com um empresário do município, causou polêmica, com acusações de corrupção, críticas e xingamentos a colegas de plenário.

Na gravação, Souza fala mal de vários vereadores devido a contrariedade à aprovação de um projeto de lei para doação de uma área para um empresário da cidade, a quem ele chama de “major”. Ele citou ainda os nomes dos vereadores Marcelinho Alvarenga (PSD), Marquinhos da Colchoaria Ramos (PSDB), Luiz Fernando de Almeida (PSDB), além do secretário de Administração e Desenvolvimento Econômico, Luiz Gustavo Rodrigues; do deputado federal Alex Manente (PPS) e do prefeito Fábio Marcondes (PSDB).

De acordo com a conversa, que teria sido gravada por um ex-assessor da Casa, a ex-secretária de Educação, Maria Aparecida Ramiro Nogueira, teria saído do cargo por não aceitar participar de um suposto esquema de corrupção. “Inclusive agora, a entrada do Luiz Fernando, entrada e saída do Luiz Fernando da Educação, todo mundo fala que foi pra ele assinar cheque pra você, coisa que a Cidinha não queria fazer (sic)”, frisou Souza, em um dos trechos mais quentes da gravação.

O vídeo, publicado às 19h30 de segunda-feira, tinha quase dez mil visualizações e mais de quatrocentos compartilhamentos até o fechamento desta reportagem.

Ex-secretário de Educação e atual vereador da base, Luiz Fernando Almeida, afirmou que tomou conhecimento do vídeo ainda durante a sessão. O ex-secretário de Educação explicou o que causou mais indignação na conversa. “É bom deixar claro que, nas palavras dele (PM Souza), que eu estava na secretaria de Educação para assinar cheques que a antiga secretária Cidinha não havia assinado e eu fui para cumprir esses atos nesse um mês e retornava para a Câmara Municipal de Lorena. Isso não existe. Eu repudio essas informações, porque na verdade secretário não assina cheque, apenas o secretário de Finanças, junto com o prefeito Fábio Marcondes”.

Ainda segundo Luiz Fernando, as medidas cabíveis já estão sendo providenciadas e serão apresentadas na próxima sessão. “Com isso, sim, eu vou atrás daquilo que o regimento interno nos dá condição, de abrir sim um processo de improbidade administrativa ou um processo de cassação. O que tiver que acontecer. Ele tem que provar, porque o que ele disse é sério”.

Citado por diversas vezes durante a conversa, o prefeito revelou surpresa ao ser mencionado na conversa, já que a resistência à aprovação do terreno se deu na Câmara e não teve a influência do Executivo.

Fábio Marcondes afirmou ainda que o empresário, dono de uma lavanderia, teve um problema com o terreno onde estava instalado e teve de devolvê-lo, com isso, procurou a Prefeitura solicitando a doação de um local. “Eu disse que não tinha terreno para doar. A Prefeitura não tem terreno. Nós estamos tentando fazer aquele polo industrial, como conseguimos e que não tinha. E o vereador apresentou um terreno, acho que buscou a certidão, sabia que a Prefeitura tinha aquele terreno”, destacou Marcondes sobre a área, que teve a doação rejeitada pela Câmara, causando a ira de PM Souza. “Era um terreno de uma devolução da Associação dos Engenheiros de Lorena, e eu dei prosseguimento a isso. Mandei para o jurídico para ver a legalidade, para ver se podia. Concordei em doar e mandei para a Câmara, onde houve resistência, e eu não sei o porquê”, enfatizou.

O prefeito finalizou dizendo que a atitude que tomará será comunicar o Ministério Público e o promotor da cidade sobre as acusações contidas no áudio, além de encaminhar a situação à executiva nacional do PPS, para comunicar sobre a acusação feita ao deputado federal Alex Manente de oferecer dinheiro para o vereador trabalhar na campanha eleitoral de 2014.

Em meio a vários palavrões, PM Souza acusou ainda vereadores de perseguição, questiona a qualidade do trabalho de “colegas” de Câmara e do secretário Gustavo Rodrigues, além de prometer ao “major” que o terreno será doado em caso de reeleição. “É ponto de honra. E ele (prefeito) que vai ter que te dar, eu não”.

Outro lado – Procurado pela reportagem do Jornal Atos, o vereador PM Souza informou que só irá se pronunciar “em momento oportuno”.

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