Lojistas do Centro de Guará cobram solução para presença diária de moradores de rua

Urina, comportamento agressivo, abordagens a pedestres e funcionários são apontados como problemas corriqueiros; secretaria mantém assistência e sem tetos sonham com uma moradia

Dupla para em calçada próxima à farmácia no Centro de Guará; lojistas relatam problemas corriqueiros (Foto: Juliana Aguilera)
Dupla parada em calçada próxima à farmácia no Centro de Guará; lojistas relatam problemas corriqueiros (Foto: Juliana Aguilera)

Juliana Aguilera
Guaratinguetá

Lojistas do Centro de Guaratinguetá estão reclamando sobre os problemas que moradores de rua estão causando na região. Entre as queixas mais comuns estão o odor de urina e o lixo deixado na frente e ao lado das lojas, o uso de drogas e bebida alcoólica e a abordagem agressiva a quem trabalha, consome ou passa pelo local.

Quem está nas ruas sonha em sair, e espera o atendimento da secretaria de Assistência Social, que, apesar das reclamações sobre a omissão, afirmou que o serviço tem feito rondas na região.

A rua Doutor Martiniano é um dos locais com maior presença de pessoas em situação de rua. Renata Ramos, gerente de uma da loja na região, afirmou que sempre chega cedo de moto, e os encontra ao lado do estacionamento em que ela deixa seu veículo. “Às vezes tem quatro ou cinco. Eles ficam em um quiosque ao lado do estacionamento, quebram o estaleiro do chão para pegar moedas, urinam no local. Eu fico até com medo”, afirmou.
Na loja, ela já teve problema com andarilhos que entram no estabelecimento ou urinam na porta, além de já ter sido ameaçada. Apesar de ver a polícia fazer ronda no local, Renata afirmou que os casos continuam frequentes. “Eu não tenho coragem de andar à noite sozinha, nem muito cedo. A gente não sabe com quem está lidando, tem que dar algum jeito neles”, reforçou.

O jornaleiro Joaquim Lourenço tem uma banca há 15 anos ao lado do Mercado Municipal, e afirmou que além do cheiro, os moradores de rua guardam seus papelões, colchões e roupas velhas e demais pertences embaixo de sua banca. “Eles não têm meios de asseio, todo são viciados em álcool ou crack, pedem dinheiro para todo mundo, xingam se não der”, explicou.

Lourenço reclamou do descaso da Prefeitura. “A turma da secretaria Social não vem, e quando vem não fazem nada, só dão desculpas. Fica feio aqui, os turistas vêm e olham essa imundície”, lembrou o jornaleiro, que afirmou que tem medo de dar bronca nos andarilhos porque muitos andariam armados com facas.

Mas a solução não é aguardada apenas por empresários e trabalhadores dos estabelecimentos da região central. Quem está nas ruas sonha com melhores condições de vida. Este é o caso de Eliana Barbosa, 59 anos, que vive na rua há cinco. “Eu vim com meus pais da Bahia para Cruzeiro. Eles já morreram, meu esposo também, e eu perdi tudo e vim morar na rua. Eu quero ver se arrumo um canto para morar, aqui ou em Aparecida”, contou.
Diabética, Eliana recentemente precisou amputar um dedo e disse que não recebeu apoio da Prefeitura.

Ela se alimenta com esmolas, sopas que recebe a noite de grupos voluntários e comida no Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social). “Eles oferecem banho e comida uma vez na semana para quem não é da cidade. Eu queria que tivesse um albergue ao menos para dormir”.

Assistência – A cidade mantém uma estrutura para atender pessoas que vivem nas ruas. Responsável pelo atendimento, o secretário de Assistência Social, Graciano dos Santos, destacou que são duas condições que devem ser trabalhadas. Ele explicou a diferença de moradores de rua e pessoas em situação de rua. “Temos as pessoas em situação de rua, que são aquelas que têm família mas perderam vínculo por causa do uso de entorpecentes e álcool; e temos os moradores de rua, que a gente toma cuidado para que eles saiam dessa vida”.

Segundo dados da Prefeitura, no último mês a cidade apresentava oito moradores de rua e 46 em situação de rua. Foram feitas 29 abordagens e cinco internações. “Temos a Casa Dom Bosco, que possibilita a internação de pessoas. O problema é que não podemos forçar essas pessoas a irem para lá”, afirmou.

Santos lembrou a necessidade do morador de rua ser encaminhado ao Creas. “Temos serviço de identificação, de banho, tem vestuário e comida para essas pessoas. O cidadão quer ajudar, mas ao invés disso dá esmola para o morador de rua, e isso não é o melhor caminho”, explicou.

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