Investigação da Polícia Civil desmantela facção que atuava em Guará

Tráfico de drogas, roubos e homicídios foram determinados por organização; Parque São Francisco e Santa Luzia eram áreas de atuação

Operação da Polícia Militar faz prisões e apreensões na madrugada; trabalho desmantelou quadrilha (Foto: Divulgação PM)
Operação da Polícia Militar faz prisões e apreensões na madrugada; trabalho desmantelou quadrilha (Foto: Divulgação PM)

Leandro Oliveira
Guaratinguetá

A DIG (Delegacia de Investigações Gerais) concluiu nesta semana um inquérito sobre a atuação de uma organização criminosa em Guaratinguetá. As investigações duraram um ano e terminaram com a apuração do comando da facção no tráfico de drogas, disputa pelo mercado ilícito com outra facção na cidade, roubos e homicídios. Dezoito pessoas foram indiciadas e presas de forma cautelar.

De acordo com as investigações, a disputa pelo tráfico na cidade foi concentrada em duas facções que entraram em conflito em 2018. Uma das organizações era da região do Parque São Francisco e outra do Santa Luzia. No ano passado, a secretaria de Segurança Pública do Estado confirmou que foram registrados quarenta homicídios na cidade, número recorde para Guaratinguetá desde o início da divulgação dos dados no site da SSP. Grande parte das mortes tem ligação direta ou indireta com o tráfico no município, de acordo com a Polícia Civil.

A DIG deu início a investigação após uma ocorrência de homicídio no Parque São Francisco. “Por meio dessa investigação a gente chegou à conclusão de que tínhamos duas facções criminosas locais em conflito, disputa gerada pela expectativa de domínio do tráfico de drogas, o que teria alavancada o número de homicídios, com 2018 sendo reconhecido como o ano mais violento de Guará. A Polícia Civil investigou e concluiu que a razão de boa parte dos assassinatos era o conflito entre as organizações”, afirmou o delegado titular da DIG, Dr. Francisco Sannini.

De acordo com o delegado, após a confirmação da disputa entre as facções, a DIG concentrou os trabalhos em uma das organizações, a mais robusta, segundo Sannini. Com a investigação em andamento, a Polícia Civil desarticulou a facção. “Desarticulamos completamente. Foram 18 presos, 24 mandados de busca e apreensão e armas, que provavelmente foram utilizadas nos homicídios, apreendidas”, destacou Sannini.

Mecanismo – Os bairros Parque São Francisco e Santa Luzia ficam na mesma região. Ambas as facções não tinham denominações, mas agiam de forma estruturada, de acordo com a DIG, e inicialmente dentro dos próprios bairros. O comando do comércio ilícito da zona oeste foi alvo de disputa entre as organizações criminosas e os conflitos passaram a intensos.

“Não temos uma cidade violenta, mas sim alguns bairros problemáticos. Em 2018 a gente teve esse problema envolvendo o Parque São Francisco e Santa Luzia. Como não existe domínio de uma grande facção criminosa na região, isso permite que surjam pequenas facções locais que tem um nível de estrutura muito complexo”, descreveu o delegado.

Uma das ações mais sangrentas de uma das organizações foi a emboscada feita em janeiro deste ano, em Moreira César, distrito de Pindamonhangaba, que terminou com duas mortes e três feridos. Uma van que saiu de Guaratinguetá desembarcou 12 pessoas em uma casa, no distrito. Eles invadiram o imóvel e abriram fogo contra os moradores. Na época as investigações descreviam a ocorrência como acerto de contas entre as gangues e disputa pelo tráfico.

“Esse caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Moreira César. Pela nossa investigação e por eles, temos fortes indícios de que é um resquício dessa guerra que teve início em Guaratinguetá”, concluiu Sannini.

Grande parte dos 18 detidos continuam presos temporariamente no Vale do Paraíba. De acordo com o delegado, assim que a prisão temporária for convertida em prisão preventiva, eles serão transferidos para os CDP’s (Centro de Detenção Provisória).

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