Cruzeiro, Lorena e Guará se opõem ao Codivap por flexibilização

Bananal decide se manter na fase vermelha e Taubaté adia avanço para amarela; São José dos Campos libera novas atividades como essenciais

Os prefeitos Fábio Marcondes, Thales Gabriel e Marcus Soliva, que atualmente defendem fase laranja; região debate flexibilização (Foto: Arquivo Atos)

Rafaela Lourenço
RMVale
 

Após cinco representantes do Codivap (Consórcio de Desenvolvimento Integrado do Vale do Paraíba) questionarem o Estado pela permanência da RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte) na fase laranja, do Plano São Paulo, prefeitos da sub-região 3 se reuniram para reforçar uma oposição à proposta do consórcio. Cruzeiro, Lorena e Guaratinguetá destacaram o crescimento de casos e a taxa de ocupação de leitos para prorrogar a fase amarela.

Em reunião, por videoconferência na última sexta-feira (24), o debate pelo avanço para a fase três, sem o aval do Governo do Estado, foi comandado pelos prefeitos de São José dos Campos, Taubaté, Jacareí, Paraibuna e Ubatuba. Além do prefeito de Guará, Marcus Soliva (PSC), a discussão online também contou com o prefeito de Bananal, Carlindo Nogueira, o Piá (PTB), que retrocedeu por conta própria à fase vermelha e deve seguir com a medida até o próximo dia 4.

Para debater a realidade da pandemia de Covid-19 na sub-região 3, o prefeito de Cruzeiro, Thales Gabriel Fonseca (PSD) se reuniu, em Lorena, com o prefeito da cidade, Fábio Marcondes (sem partido) e o de Guará, Marcus Soliva, na tarde da última segunda-feira (27).

Contrário ao avanço para a fase amarela, Fonseca frisou que o Vale Histórico e o Circuito da Fé estão em elevação quanto aos registros da doença. O chefe do Executivo reforçou ainda, que a maior preocupação, em conjunto, é pela ocupação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) pois há municípios que já atingiram ou estão próximos dos 100%. “Tenho certeza que os prefeitos do Vale Histórico também sabem disso, da importância dessa manutenção. Estamos trabalhando o equilíbrio entre atividade econômica, mas principalmente para salvar vidas humanas”.

O anfitrião do encontro, Marcondes deixou clara a grave situação do interior exemplificando a letalidade do vírus e a maior necessidade dos aparelhos de leitos de UTI. Ele frisou que não tem capacidade técnica para julgar outras cidades, mas que Lorena não tem condições para avançar. “Não sei se tem relação com o inverno, o tempo seco, mas nos últimos três meses o ambulatorial e enfermarias estavam cheios e pessoas se recuperando ali. Hoje já estão precisando ir para a UTI para se recuperar. Eu não aderiria a isso jamais porque não vejo condições pelo nível que está a pandemia”, salientou.

De acordo com o último boletim epidemiológico, a cidade está com 80% dos leitos de terapia intensiva ocupados na rede pública e 100% na rede privada. Lorena é referência de atendimento em saúde como as vizinhas participantes da reunião da terça-feira.

Como representante das medidas de oposição à uma maior flexibilização, Marcus Soliva acredita na importância da união entre as cidades para preservar vidas. Em um vídeo publicado nas redes sociais de Thales Gabriel, Soliva explicou que julho foi um mês difícil comparado aos números de junho e que na época, a possibilidade do avanço para a fase três seria melhor aceita que no momento. “Agora, no mês de julho, vimos que não chegamos ainda no topo da contaminação. É prudência e cautela”.

Apesar de estar no grupo que defendia a liberação de mais atividades como essenciais, a Prefeitura de Taubaté adiou o avanço de fase devido o “expressivo aumento de casos nos últimos cinco dias e a elevação percentual das taxas de ocupação dos leitos municipais de UTI disponibilizados no HMUT (Hospital Municipal Universitário de Taubaté) e no Hospital de Campanha montado na UPA Central (trecho da nota)”. Segundo o último boletim epidemiológico divulgado, terça-feira (28), Taubaté registrou 1.642 confirmações do novo coronavírus, 401 em análise e 52 mortes. Os leitos em ocupação estavam em 80% e 74,2% de enfermaria e UTI, respectivamente.

Já em São José dos Campos, entrou em vigor o decreto que liberou atividades como restaurantes, bares, salões, barbearias e academias. Todas com restrições, porém, sem o aval do Estado.

 

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