Vieira critica Câmara e tenta retomar debate sobre aumento de vereadores em Cruzeiro

Parlamentar quer reduzir número de assessores e diz que aumento de cadeiras deve garantir mais representatividade popular; proposta tem obstáculos para voltar à pauta no Legislativo em 2019

O vereador Paulo Vieira, que tenta emplacar projeto para aumento de cadeiras na Câmara de Cruzeiro (Foto: Rafael Rodrigues)
O vereador Paulo Vieira, que tenta emplacar projeto para aumentar  cadeiras na Câmara (Foto: Rafael Rodrigues)

Rafael Rodrigues

Cruzeiro

O vereador Paulo Vieira (PR), de Cruzeiro, retomou essa semana o debate sobre a proposta de aumento no número de vereadores na Câmara. O parlamentar tenta “esquentar” o assunto, com direito a enquete nas redes sociais e articulação na Casa para emplacar o projeto, que já foi tema de discussão em 2017, primeiro ano de sua legislatura.

A intenção de Vieira é que o aumento de cadeiras, que pularia de 10 para 15, seja compensado pelo corte de assessores parlamentares. Segundo ele, atualmente cada vereador tem direito a dois assessores em provimento de comissão (cargo de confiança). Pela proposta, cada parlamentar abriria mão de um funcionário para aumentar o número de cadeiras sem encarecer a folha de pagamento. “A minha ideia não envolve aumento de gastos públicos. Eu quero cortar recursos com despesas de pessoal na Câmara. Acredito que hoje a folha de pagamento é um exagero, como vemos um assessor com um salário praticamente igual a de um vereador”.

O vereador criticou o ganho de alguns assessores, que segundo ele, recebem mais que o detentor do mandato. “Chegamos a realidade de que o assessor ganha mais do que o vereador, porque o político não tem Fundo de Garantia, férias e nem décimo terceiro”, explicou.

Atualmente, segundo o portal da transparência da Câmara de Cruzeiro, um vereador custa aproximadamente R$ 15 mil aos cofres públicos ao mês. O valor refere-se ao salário do parlamentar, que está em R$ 6,1 mil, além dos vencimentos dos assessores, que atualmente é de R$ 5,2 mil na categoria 1 e de R$3,1 mil na categoria 2.

De acordo com o autor da proposta, o corte nos custos da folha de pagamento seria prioridade. “Pelos meus cálculos vamos economizar mais de 20% na folha de pagamento. A minha prioridade é cortar despesas com pessoal, ou seja, eu poderia até aceitar que continuemos com o número de dez cadeiras, mas desde que haja corte de despesas com pessoal”, sinalizou.

O projeto não tem apoio da Casa, inclusive do presidente Mario Notharangeli (SD), que preferiu não gravar sobre o assunto com a reportagem do Jornal Atos. Além dele, nenhum outro vereador respondeu sobre o pedido para o aumento no número de cadeiras.

Com dificuldade de apoio entre os vereadores, Vieira busca adesão nas ruas, com explicação sobre possível economia, mas a população não demonstrou satisfação com a ideia. Em 2018, durante enquete realizada pelo Jornal Atos, boa parte dos entrevistados reprovaram a atuação na Câmara.

Crítica – Outro argumento que Paulo Vieira deve utilizar para ganhar apoio popular é a representatividade parlamentar da Câmara de Cruzeiro que, segundo ele, está comprometida com o número atual de vereadores. “A Constituição estabelece o mínimo de nove vereadores, como é em algumas cidades pequenas como Lavrinhas, Silveiras e Areias. Mas em Cruzeiro, com mais de oitenta mil habitantes, temos apenas dez vereadores, de modo que a representação popular acaba ficando comprometida”, argumentou Vieira, que questionou o ritmo de trabalho dos vereadores, com destaque para a aprovação de 24 títulos de cidadão e o índice de projetos referentes à nomeação de ruas, que chegaria a 30% das propostas debatidas na Casa.

 

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