Reajustes de salários da Câmara e Prefeitura esquentam criticas em Cruzeiro

Projeto aprovado por vereadores definiu índice de 2,27% para políticos e 2,3% para servidores

O presidente da Câmara de Cruzeiro Charles Fernandes e o prefeito Thales Gabriel; reajuste polêmico (Foto: Arquivo Atos)
O presidente da Câmara de Cruzeiro Charles Fernandes e o prefeito Thales Gabriel; reajuste polêmico (Foto: Arquivo Atos)
Rafael Rodrigues
Cruzeiro

A aprovação por unanimidade do reajuste dos próprios salários dos vereadores, do prefeito e secretários em 2,27%, gerou protestos e acusações em Cruzeiro. O aumento foi votado na sessão do último dia 26, quando também foi aprovado o reajuste de 2,3% nos vencimentos dos funcionários.

Entre os pontos polêmicos,  o sistema retroativo para os agentes políticos, que terão reajustados os subsídios desde janeiro.

Moradores da cidade questionaram publicamente as propostas. No texto original, o Executivo alega que o reajuste é referente à equiparação da inflação no período entre janeiro a dezembro de 2017, mas de acordo com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), divulgado no fim do ano passado, a inflação oficial no país, fechou o ano em 2,95%.
Impostos, como o ISS (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza), foram reajustados em mais de 6%, também com a alegação de que acompanhou o índice inflacionário.

Nas duas reposições salariais, a Prefeitura utilizou o índice oficial IPC/Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) acumulado do período de janeiro a dezembro de 2017, com a alegação de que houve equiparação dos salários de acordo com a inflação registrada no ano passado.

Outro ponto aprovado na mesma sessão foi o reajuste do vale alimentação, em 4%, passando dos atuais R$ 250 para R$ 260.

Sindicato – De acordo com o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Cruzeiro, José Geraldo Pereira Lopes, a princípio, a entidade havia entrado com pedido de 10% de reajuste para os salários dos servidores, mas depois de diversas rodadas de negociações tiveram que ceder e aceitar a proposta da Prefeitura de 2,3%. “Fizemos assembleias e reuniões com a Prefeitura, inclusive propusemos 10% de aumento. A gente sempre quer mais, só que foi o que eles conseguiram dar pra gente, e infelizmente não houve aumento, e sim uma reposição salarial para os servidores”, concordou.

Câmara – Criticados pela aprovaram do projeto, os vereadores de Cruzeiro tiveram que responder sobre o sistema que levou aos valores dos reajustes.

O presidente da Câmara, Charles Fernandes (PR) garantiu que a retroatividade no pagamento para vereadores e prefeito obedece ao sistema imposto pela data base das categorias. “Existem diferenças legais. Os vereadores recebem subsídio e os servidores são assalariados. É preciso observar a data-base da categoria, que no caso dos servidores é em fevereiro, conforme estatuto. O reajuste é anual da mesma forma, valendo para os servidores de fevereiro de 2018 a fevereiro de 2019 e dos vereadores é de janeiro a janeiro”, explicou.

Fernandes destacou que os índices, que ficaram abaixo da inflação foram debatidos entre a Prefeitura e sindicato. “À Câmara cabe homologar esta proposta, votando o projeto. Evidente que gostaríamos de possibilitar um reajuste maior, porém, é da ciência de todos, o delicado momento da economia e em especial de Cruzeiro”, argumentou.
“Precisamos ser responsáveis. Nenhuma categoria neste ano está recebendo reajuste acima da inflação. O momento é de trabalhar as finanças para colher frutos nos próximos anos”.

Charles lembrou ainda que o reajuste dos tributos foi maior devido ao acumulado de anos anteriores com correções abaixo da inflação e em muitos anos sem nenhuma correção. “Entendemos que o movimento do Executivo neste sentido é de ajustar estes valores de forma a equacionar as finanças e retornar em investimentos para a cidade.

Os salários por sua vez são reajustados anualmente, mesmo que apenas para corrigir a perda inflacionária”.
A reportagem do Jornal Atos procurou a Prefeitura, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

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