Redução dos salários deve ser a primeira polêmica na Câmara de Cachoeira em 2020

Projeto deve ser votado na volta do recesso; sessão marcada para dia 28 já causa debate no município

O vereador Nenê do São João, autor da proposta sobre salários dos vereadores de Cachoeira Paulista (Foto: Arquivo Atos)

Rafael Rodrigues
Cachoeira Paulista

O ano legislativo em Cachoeira Paulista promete acaloradas discussões entre os vereadores, que terminam esse ano o mandato na cidade. Entre os debates, o que mais deve movimentar os parlamentares é a votação do projeto que pede a redução salarial dos vereadores já a partir da próxima legislatura (2021-2024).

De autoria do vereador Nenê do São João (PSB), o texto foi discutido ao longo de 2019. Com previsão de votação ainda no segundo semestre do ano passado, a matéria ficou parada nas comissões após polêmicas e frustradas tentativas de ser colocada em votação. Agora, com o parecer favorável, o texto está com previsão de ser votado logo na primeira sessão do ano, marcada para o próximo dia 28, às 19h.
Segundo o vereador Nenê do São João, a ideia surgiu enquanto ele ainda presidia a Casa. Ele contou que depois de avaliar com outros ex-presidentes, notou que os gastos da Câmara estavam muito além do necessário.

“A preocupação foi porque quando eu fui presidente e em conversa com outros presidentes, notamos que estávamos com o teto máximo da Câmara para pagamento de salários, e alguma coisa deveria ser feita, corte ou contenção de gasto”, explicou.
Sem citar nomes, o parlamentar justificou a iniciativa dizendo que muitos vereadores não “trabalham como deveriam”. “O principal motivo é que alguns vereadores ganham e não vão trabalhar, eles só aparecem no dia da sessão, sendo que muito trabalhador bate ponto com quarenta horas semanais e ainda ganha um salário mínimo”, denunciou.

Com 32.294 habitantes, a cidade conta com 13 parlamentares que têm salário de R$ 4,2 mil. A folha mensal de pagamento dos parlamentares chega a aproximadamente R$ 55 mil. O projeto pode gerar uma economia de R$ 530 mil, representando cerca de R$2,6 milhões em quatro anos.
O vereador Thales Satim (PSC) explicou que mesmo aprovando o relatório na Comissão de Justiça e Redação, deve votar contra o projeto durante a sessão. “O parecer que vai ser votado é de minha autoria, de quando fazia parte da Comissão, porque analisamos somente a questão jurídica, mas politicamente sou contra e vou votar pela desaprovação do projeto”, explicou.
Satim rebateu as críticas do vereador Nenê do São João. “Eu entendo que todo mundo que trabalha deve sim receber, e a função de vereador tem responsabilidade e obrigações, que não é só ir uma vez por semana, nas sessões”, argumentou.

De acordo com relatos e entrevistas de membros da Casa, o projeto teria os votos necessários para ser aprovado, já que necessita de maioria simples. Articuladores apontam que Nenê do São João conta com o apoio de mais quatro parlamentares, somando cinco votos certos.
O autor do projeto garantiu que outros nomes estão dispostos a aprovar a medida. Ele contabilizou seis votos, o que representaria um empate, mas confiante no posicionamento da presidente da Casa, a vereadora Mariza Hummel (PP).

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