Câmara arquiva CPI contra Marcondes e aprova investigação contra Anaya

Vereador tem pedido de apuração barrado e entra no alvo de processante por viagem a São Paulo

O vereador suplente Guilherme Marcondes alvo de CPI que deve ser arquivada ao lado do vereador Breno Anaya protagonista de CPI aberta nesta semana (Foto: Arquivo Atos)
O vereador suplente, Guilherme Marcondes que deve ter CPI arquivada, e Breno Anaya alvo de processante aberta nesta semana (Foto: Arquivo Atos)

Jéssica Dias
Cachoeira Paulista

A Câmara de Cachoeira Paulista engavetou o pedido para a abertura de uma processante contra o vereador Guilherme Marcondes (PSD), suspeito por falsificar requerimento de viagem no período que foi presidente da Câmara, em 2016, com intuito político e para fins eleitorais. A sessão, na última terça-feira, contou ainda com a abertura de outra investigação, desta vez contra Breno Anaya (PSC), que havia acusado Marcondes.

A expectativa de Anaya era para votação do pedido, apresentado na semana anterior, com denúncia protocolada pela moradora do vereador, Marisa Barbosa, acusando Marcondes por adulterar um documento de viagem constando o nome dos vereadores Breno Anaya, Aurélio Hummel, Carlinhos da Saúde (PSD) e Maximilio Miranda Gonçalves de Barros, o Max Barros (DEM), além de um funcionário da Câmara. Nas despesas de viagem paga consta apenas a assinatura de Marcondes com o valor de R$ 910.

A CEI (Comissão Especial de Inquérito) foi aprovada, no último dia 22, por dez votos favoráveis, duas abstenções (Anaya e Aldeci Baianinho-PSC) e uma ausência do professor Professor Danilo (PROS). Mas acabou derrubada nesta terça-feira.

De acordo com o presidente da Câmara, Dimas Barbosa (PTB), Guilherme Marcondes não é mais vereador (Carlinhos da Saúde protocolou um atestado médico para comprovar que está apto a voltar à Câmara), por isso, o objeto da denúncia não existe mais, já que a CPI poderia acarretar na cassação do cargo. A comissão finalizou o processo da denúncia e encaminhou para o Ministério Público.

Mas a viagem denunciada não deve ficar de fora das investigações na Câmara. Por 8 votos a 5, a Casa aprovou outro processo de apuração, desta vez contra o próprio Anaya. Dimas Barbosa, professor Danilo, Alexandre Alves (PRB – suplente de Marcondes), Dadá Diogo (PODE), Nenê do São João (PSB), Thales Satim (PSC), Tião do Marly (PL) e Mariza Hummel (PP) votaram pela abertura da processante.

Troca de acusações – Na semana anterior, Anaya foi à tribuna onde alegou que falsificaram sua assinatura e que não estava ciente que a viagem seria paga com dinheiro público, mas confirmando que assinou um cheque no valor de R$ 910, mas que estava no nome de um motorista da Câmara. “O cheque que eu assinei de fato estava no nome do César (motorista). Poderia ter sido adiantamento de 13º. E se era adiantamento de viagem, porque o cheque está com a data do dia 28 de julho e não dia 25 ou 26. Então foi canalhice”, acusou.

O vereador contou ainda que foram feitos dois empenhos e os dois estão com a mesma assinatura. “Se fizer um exame grafotécnico (análise científica da letra de um indivíduo a fim de apontar a veracidade do documento), vai ver que a mesma pessoa que fez um empenho, fez outro”, afirmou Anaya.

Marcondes também afirmou que sua assinatura foi falsificada. “Na viagem que fui para São Paulo, não consta a minha assinatura como presidente, aquela letra não é minha. O vereador (Anaya) e a dona Mariza disseram que eu falsifiquei o documento. Eu já mandei para uma perícia técnica para validade disso. O cheque da viagem foi assinado por mim e pelo vereador Breno”, garantiu.

O parlamentar, que deixará a Casa para o retorno de Carlinhos da Saúde, apresentou na tribuna uma foto para comprovar o dia da viagem, 26 de julho de 2016, quando ele estaria junto a Anaya e a mãe do colega de Legislativo. “Eu não levei parente pra São Paulo, infelizmente quem levou foi o próprio vereador que me denuncia. Causa-me estranheza toda essa vontade do vereador Breno votar a isso, porque ele votou contra a processante que investigava os R$ 33 milhões (denúncia contra o prefeito afastado Edson Mota-PL, acusado por contrato ilegal contra um escritório de advocacia), mas ele quer me processar por um cheque que também assinou, em uma viagem que ele estava acompanhado da sua mãe”.

Marcondes declarou ainda que tem testemunhas viram Anaya fazendo o empenho e o documento não foi trocado na contabilidade, já que não consta a assinatura da contadora da Câmara.

 

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