Decisão judicial pede retirada de famílias de área de risco em Aparecida

Moradores do São Francisco aguardam apreensivos apoio da Prefeitura e criticam falta de assistência

Moradora aponta trecho que recebeu diagnóstico de alto risco no bairro São Francisco, em Aparecida; laudos da Defesa Civil divergem do MP (Foto: Rafael Rodrigues)
Moradora aponta trecho que recebeu diagnóstico de alto risco no bairro São Francisco, em Aparecida; laudos da Defesa Civil divergem do MP (Foto: Rafael Rodrigues)

Rafael Rodrigues
Aparecida

Uma decisão do Ministério Público em Aparecida determinou que famílias sejam retiradas de uma área considerada de alto risco no bairro São Francisco. A princípio, as informações dão conta de que 18 casas estariam condenadas. O parecer foi contestado pela Defesa Civil.

De acordo com o órgão, são somente seis residências que devem ser desocupadas. A informação pegou os moradores da rua Abrão Kalil Mechica de surpresa, já que alguns moram no local há mais de trinta anos.

Há praticamente três décadas na mesma casa, Rafael Oliveira está assustado com a situação. Segundo ele, a notícia tem assustado os vizinhos que esperam uma providência do poder público. “A situação é muito ruim porque vai fazer quase trinta anos que eu moro aqui, e mesmo com alguns problemas nunca ninguém veio aqui resolver, e agora chegam para falar que a gente tem que desocupar”.

O aposentado Fernando Ribeiro está irredutível e não pretende deixar o local, alegando que gastou todas suas economias para conquistar a casa própria e por não ter para onde ir. “Eu moro há 21 anos, e nesse período nunca vieram aqui, só para mandar a gente sair, mas eu vou para onde? Comprei o terreno, gastei para construir a casa, e agora, como eu fico?”

Para o coordenador da Defesa Civil de Aparecida, Tenente Oliveira os moradores correm risco, mas não todos como foi apontado pela Justiça. “Baseado no mapa de risco do IG (Instituto de Geologia) e com a análise da Defesa Civil e Secretaria de Obras, temos a certeza que 6 residências se encontram em risco muito alto, e por isso as famílias precisam ser removidas urgentemente”.

Ele disse ainda que existem alguns graus de periculosidade no bairro, e que essas seis famílias estão no nível mais alto de risco de escorregamento de terra, que pode causar colapso total das residências.

Uma das moradoras mais antigas no bairro, Juliana Amaral não faz parte das seis famílias que tiveram as casas condenadas pela Defesa Civil, mas teme que a situação possa se estender para os demais moradores. Ela alegou que nos últimos oito anos nenhum perito foi ao local, nem mesmo alguma melhoria foi feita para ajudar as famílias da rua.

“Agora eles vem condenando as casas. Antes desse período um antigo coordenador da Defesa Civil veio aqui e disse que o bairro inteiro era área de risco, mas o engraçado é que não tem um ano que construíram uma casa muito grande aqui e deixaram ligar luz, água e tudo mais, ou seja, nessa hora não era de risco”?

Juliana denunciou que em uma oportunidade uma das moradoras da rua foi retirada de sua residência, mas foi obrigada a voltar devido à falta de apoio do poder público. “A Prefeitura pagou aluguel social por seis meses, e de um dia para o outro pararam com o benefício e ela foi obrigada a voltar”.

Promoção Social – O secretário da Promoção Social Cláudio Gibele afirmou que as famílias não ficarão desamparadas, mas que a Prefeitura irá cumprir a determinação judicial.

“Estamos colocando em conjunto várias ações por determinação judicial. Já realizamos visita técnica e um acompanhamento social para que as famílias sejam inseridas em projetos da secretaria”.

Entre as ações, ele citou justamente o aluguel social, criticado pela moradora. “Estamos levantando estudos de impacto financeiro e orçamentário para atender a determinação judicial. E uma das opções é o aluguel social”.

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