Mesmo em quarentena, região tem aumento de assassinatos

RMVale segue como a mais violenta do interior, mesmo com redução de atividades; índices como de roubo e surto sofrem quedas

Policiais militares durante operação em Pindamonhangaba; índice criminal segue preocupante na região (Foto: Bruna Silva)

Lucas Barbosa
RMVale

Apesar do período de isolamento social motivado pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), a RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte) registrou nos primeiros cinco meses do ano um aumento do número de vítimas de assassinatos em comparação ao mesmo período de 2019. Divulgado pelo Estado na última quinta- -feira, o levantamento apontou que Cruzeiro e Ubatuba estão entre as quatro cidades mais violentas da região.

De acordo com os dados da SSP (secretaria de Segurança Pública), a RMVale teve de janeiro a maio 139 moradores assassinados, sendo 137 vítimas de homicídio doloso (quando existe a intenção de matar) e dois de latrocínio (roubo seguido de morte). O montante é quase 1% superior ao da mesma época do ano passado, que foi de 138, quando ocorreram 131 homicídios dolosos e sete latrocínios. Mesmo com o aumento leve de casos, a situação surpreendeu especialistas e autoridades em Segurança Pública da região, já que o fluxo de circulação de pessoas nas ruas em 2019 era superior ao atual e não haviam recomendações governamentais sobre o distanciamento social e as restrições de funcionamento de estabelecimentos comerciais.

O montante de assassinatos manteve a RMVale como a região mais violenta do interior de São Paulo, estigma que permanece desde 2010. As demais áreas paulistas contabilizaram os seguintes números de casos: Campinas (121), Piracicaba (103), Ribeirão Preto (90), Sorocaba (81), Baixada Santista (58), Bauru (50), Araçatuba (38), São José do Rio Preto (37) e Presidente Prudente (23). Segundo o levantamento, São José dos Campos lidera as mortes violentas na região nos primeiros cinco meses de 2020, contabilizando 19 registros. Fechando o “pódio” aparecem Jacareí, com 18 casos, e Cruzeiro, com 13 assassinatos. O crime que mais chocou os moradores de Cruzeiro no ano foi o duplo homicídio praticado por um grupo de atiradores em 9 de janeiro em um condomínio do bairro Parque Primavera.

Na ocasião, dois jovens, de 19 e 22 anos, conversavam no pátio do condomínio durante a noite, quando criminosos desceram de um carro e efetuaram diversos disparos de arma de fogo contra a dupla. A Polícia Civil de Cruzeiro prendeu um suspeito em fevereiro e ainda apura o envolvimento de outros homens na ação. Quarta cidade com mais moradores mortos, Ubatuba teve 11 homicídios dolosos de janeiro a maio. Os demais municípios da RMVale que registraram mortes violentas no período foram Aparecida (1), Areias (1), Caçapava (10), Cachoeira Paulista (4), Campos do Jordão (3), Caraguatatuba (9), Cunha (3), Guaratinguetá (5), Igaratá (1), Ilhabela (1), Lagoinha (2), Lorena (9), Pindamonhangaba (9), Potim (1), Roseira (2), São Bento do Sapucaí (1), São Luís do Paraitinga (1), São Sebastião (2), Silveiras (1), Taubaté (8) e Tremembé.

Queda – Em contrapartida ao aumento de assassinatos, a região teve reduções consideráveis nos índices de roubo e furto no comparativo entre os cinco primeiros meses de 2019 e 2020. Enquanto a primeira modalidade criminosa sofreu uma diminuição de 23%, caindo de 3.091 para 2.380, a outra teve uma queda de 30%, despencando de 9.928 para 6.875.

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