Necropsia revela que pinguim encontrado morto em São Sebastião engoliu máscara

Flagrante de corpo do animal encontrado dois dias após feriado prolongado aumentam cobrança de ambientalistas por fiscalização e bom senso de turistas

Pinguim encontrado morto em praia de São Sebastião, após engolir máscara (Foto: Divulgação Instituto Argonauta)

Lucas Barbosa
São Sebastião

Entidade de proteção ambiental, o Instituto Argonauta revelou na manhã desta quarta-feira (16) que o resultado da necropsia de um pinguim, encontrado no último dia 9 em São Sebastião, apontou que o animal morreu após engolir uma máscara. Presenciando uma “invasão” de turistas desde o início deste mês, os ambientalistas do Litoral Norte cobram mais consciência dos banhistas e fiscalização quanto ao lixo na orça.

Desenvolvendo ações de preservação dos ambientes desde 1998, no Litoral Norte, o Instituto Argonauta publicou uma nota oficial em sua página no Facebook, afirmando que seus peritos acharam uma máscara embrulhada no estômago da ave, pertencente à espécie pinguim-de-magalhães, encontrada morta na areia da Praia de Juquehy.

O corpo do animal foi localizado dois dias após o feriado de 7 de setembro (Independência do Brasil), período em que São Sebastião e as cidades vizinhas receberam um alto fluxo de turistas em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

Recolhido pela equipe do PMP-BS (Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos), o pinguim foi submetido à necropsia na Unidade de Estabilização do Instituto Argonauta, que fica na região central de São Sebastião. Os especialistas constataram que a máscara era de um modelo conhecido como ‘N95’, que tem seu uso recomendado pelo Ministério da Saúde apenas para profissionais de Saúde ou pessoas com suspeita de infecção pela Covid-19.

Analisando o material do acessório de segurança e o porte físico do pinguim, que estava muito magro, os peritos acreditam que o objeto obstruiu o estômago da ave, impossibilitando que ela se alimentasse.

Em entrevista à mídia regional, o oceanógrafo e presidente do Instituto Argonauta, Hugo Gallo, lamentou a morte do animal e revelou que a entidade está preocupada diante o aumento do aparecimento de máscaras abandonadas no mar, o que coloca em risco a fauna marinha.

O caso gerou revolta entre ambientalistas e outras entidades de preservação do Litoral Norte que, assim como o Argonauta, frequentemente promovem ações de conscientização de moradores e turistas sobre os perigos do descarte de objetos no mar. Além de mais respeito e cuidados à natureza, os especialistas cobram que os turistas respeitem o isolamento social, evitando “invasões” nas cidades litorâneas.

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