Denúncia de quebra de decoro de Nenê é rejeitada pela Câmara de Cachoeira

Vereador é acusado de ofender prefeito em vídeo postado nas redes sociais; Executivo leva caso ao Ministério Público

O vereador Nenê do São João, alvo de denúncia na Câmara de Cachoeira Paulista (Foto: Arquivo Atos)

Da Redação
Cachoeira Paulista

A Câmara de Cachoeira Paulista rejeitou na noite da última terça-feira (2) o pedido do Executivo para que fosse encaminhada à Comissão de Ética da Casa uma denúncia de quebra de decoro por parte do vereador Ilwanderson de Oliveira, o Nenê do São João (PSB). O parlamentar é acusado de ofender o prefeito Antônio Carlos Mineiro (MDB) e seu secretariado nas redes sociais.

No ofício enviado ao Legislativo, a atual gestão municipal acusa Nenê de agir de forma indevida e irresponsável durante uma transmissão de vídeo em seu perfil na rede social Facebook no último dia 16.

Nas imagens, o vereador aparece chamando Mineiro e os secretários de “covardes”, por reclamarem dos atuais problemas financeiros da Prefeitura gerados pelas dívidas herdadas do antigo governo municipal, comandado pelo ex-prefeito, Edson Mota (PL). “Todo prefeito que entra em Cachoeira fala que o anterior deixou dívida em conta. Se você (Mineiro) e seus secretários falarem que a Prefeitura está falida, vocês são covardes, porque quando você lançou candidatura já sabia da missão (trecho do vídeo)”.

Em seu ofício, o chefe do Executivo também acusa Nenê de tentar utilizar um discurso de ódio para incitar a população, principalmente os comerciantes, a se revoltarem contra sua gestão. No vídeo, o parlamentar critica a decisão do prefeito em ordenar, no último dia 15, o retrocesso da cidade à fase vermelha, a mais restritiva, do Plano SP de prevenção ao contágio da Covid-19, apesar de, na data, o Estado reclassificar a RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba) para a fase laranja, a segunda mais restritiva (o que foi alterado na semana seguinte, quando o Governo João Doria-PSDB levou a região para a fase vermelha). “Você (Mineiro) traiu os comerciantes e a população ao entrar na fase vermelha. Você tem que ser mais digno, o seu secretariado está mandando mais que o senhor. Seja homem (sic), honre o seu compromisso. Se vocês querem conscientizar o povo, coloquem mais fiscalização. Vocês são ordinários por fecharem o comércio (trecho do vídeo)”.

Antes de colocar em votação o pedido do prefeito para que a denúncia de quebra de decoro parlamentar fosse encaminhada à Comissão de Ética da Câmara, o presidente da Casa, Rodolpho Borges, o Rodolpho Veterinário (REDE), permitiu que o Nenê utilizasse a tribuna para se defender da acusação. “Nunca vi em Cachoeira um prefeito tentar tirar a liberdade de expressão dos vereadores. Ele não precisa achar que eu o humilhei por chamá-lo de ordinário. Esta palavra no dicionário significa pessoa comum. Não usei nenhum ‘palavrão’, apenas os termos ordinário e falso moralista, que na minha opinião ele foi por passar uma falsa imagem, já que antes era contra fechar o comércio e depois foi a favor”.

Apesar do vídeo, a solicitação de Mineiro pela processante foi rejeitada por 9 votos a 2. Agenor Silva, o Agenor do Todico (PL), Angela Orosco, a Angela Protetora (MDB), Djalcyr Fonseca, o Dil (PSD), Felipe Cabral, o Felipe Piscina (DEM), José Carlos da Silva, o Carlinhos da Saúde (PSD), Luiz Gonzaga, o Brejão (PSC), Leonardo Guimarães, o Léo Fenix (PSB), Maximilio Miranda, o Max (DEM) e Rogéria Lucas (PODE) barram a solicitação do Executivo.

Já as vereadoras Adriana Vieira (PTB) e Thálita Barboza (PT) foram as únicas favoráveis ao pedido.

Ao final da discussão, o presidente da Câmara, Rodolpho Veterinário, destacou que, apesar do arquivamento, uma cópia da denúncia foi encaminhada pela Prefeitura ao Ministério Público, que analisará o pedido de perda de mandato de Nenê por quebra de decoro parlamentar.

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