Seria cômico se não fosse trágico

Em tempos de campanha, o candidato que tem eleitor se considera rei. Qualquer cidadão pode sentir o clima de disputa que alimenta a conquista dos votos, mesmo antes da data definida no calendário do TSE. Não faltam abraços, sorrisos, promessas, compromissos e até profecias.

O sentimento cristão de repente inunda o coração de tantos candidatos que começam a passear pelas igrejas. Uns convidados, outros não, o fato é que a movimentação é intensa.

Contudo, em termos de marketing e comunicação, mesmo com tanta tecnologia disponível, o cenário acaba por ser cômico.

Em Guaratinguetá, o tucano se inspirou tanto no que leu, que plagiou texto de outro político; o fato foi reconhecido e comentado. Se bem que talvez seja moda, depois que a mulher de Trump teve ousadia de copiar as ideias de Michelle Obama diante do mundo todo. Nada é de se estranhar, mas que uma boa assessoria evitaria uma gafe dessas, isso evitaria.

Em Aparecida, o candidato aproveitou tudo o que podia do PSDB, mas na hora de fazer sucessor, parece que abandonou a campanha e nem uma base futura de vereadores está na disputa.

Em Pindamonhangaba, Ardito tem uma estrutura de muitos partidos, mas em termos de marketing eleitoral, talvez tenha que contratar alguns pokemons para chamar a atenção dos eleitores.

Em Cruzeiro a diversidade de tantos candidatos, traz para o eleitor as opções de velha guarda, jovem guarda, a turma do fósforo riscado e até representantes estilo gardenal.

Em Lorena, a disputa é palmo a palmo, de rede social à briga de cachorro na rua. Com direito a plateias de debates dos partidários que se digladiam no Facebook; tudo vira culpa do governo, e no final das contas dos três grupos disputando, visivelmente viram dois.

Na guerra por votos, nesses três meses de intenso bombardeio de informações, de muita simpatia e frases de impacto, fica para o eleitor a sensação de estar na frente de um teatro, e o receio de votar em um ator e não em um administrador capaz de representar sua cidade cumprindo aquilo que se propôs.

A ideologia política no Brasil nunca foi muito fácil de se distinguir. Historicamente o discurso do povo e para o povo sempre levou melhor vantagem política, Desde Jânio Quadros, que levou a Presidência com uma vassoura nas mãos, o teatro demagógico ocupa mais tempo que as reais propostas.

Brasileiro é povo carinhoso, hospitaleiro, crédulo e trabalhador. Mas infelizmente parece que a cidadania é deficiente. Ciências Políticas e Sociais deveriam ser matéria de Ensino Médio, assim como Direito Constitucional. Infelizmente, o MEC está mais interessado em colocar a sexualidade em cartilhas e livros, mas não tem iniciativa alguma em ensinar princípios de cidadania aos alunos.

Muitas escolas se limitam a cantar o Hino Nacional nos dias de desfile de Sete de Setembro. O brasileiro não é estimulado a amar a nação, a saber o Hino Nacional, ou entender as leis. Com isso, a grande parcela dos estudantes entram no ritmo da ostentação e consagram em suas músicas o anseio por uma vida melhor, baseada em sexualidade e dinheiro.

A responsabilidade do voto chega aos 16 anos, mas poucos alunos ingressam na faculdade sabendo o que significa Constituição Federal. Em intercâmbio cultural, presenciei crianças do jardim da infância diante da bandeira americana, cantando o hino nacional deles. Em todas as casas, uma bandeira. O Brasil não pode se resumir em futebol, até porque parece que não estamos tão bem neste quesito. Precisamos descortinar esse teatro de políticos que se intensifica, e pensar antes de votar, para que o voto não venha ser uma decepção ou uma troca de favor. Não votar em promessas, mas em propostas exequíveis!

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